Quando Lula dá mais um salto de preferência na pesquisa eleitoral, um fato novo reacende o caso do dossiê Vedoin, porque entra em cena ninguém mais senão José Dirceu, a eminência parda do Governo Lula e que estava fora de cena desde sua queda do poder. É que a Polícia Federal levanta agora a suspeita de que é ele a pessoa ‘‘conhecida e importante’’ apanhada no rastreamento telefônico dos envolvidos no caso. Mas a oposição desconfia dessa versão, afirmando que esta ‘‘é mais uma farsa do Governo para dizer que o chefe da operação não é Lula’’. Pelo menos este foi o brado do deputado José Carlos Aleluia, do PFL da Bahia e líder da minoria na Câmara. Também o senador Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, afirma que o surgimento de Dirceu ‘‘é uma manobra para livrar imputações criminais contra o Presidente/candidato’’, a seu ver o verdadeiro mentor da armação que se converteu em novo escândalo. Não têm faltado acusações públicas, emanadas de políticos contrários, de que a Polícia Federal é manipulada pelo presidente da República, por isso essa reação ao inusitado ingresso do ex-ministro no episódio. Segundo a PF, foi Dirceu quem ligou para Jorge Lorenzetti, ex-coordenador do setor de inteligência da campanha de Lula, dias antes da prisão, num hotel de São Paulo, de dois petistas portando R$ 1,75 milhão para compra de um suposto dossiê contra o então candidato a governador José Serra, concorrente de Aloizio Mercadante, do PT. Outro investigado é Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT e ex-ministro do Governo Lula. A divulgação dessa nova versão ocorre depois da última pesquisa, que alargou ainda mais a vantagem de Lula sobre Geraldo Alckmin, não se acreditando que a eventual participação de Dirceu no caso do dossiê altere esses números. Os escândalos deste Governo, que assolaram a República nos últimos dois anos, ao que parece não foram suficientes para modificar a tendência do eleitorado cativo do populismo lulista, que é o que está fazendo a diferença. Mas o que surpreende é que a figura de José Dirceu, qual fantasmagórica sombra, continue presente, ou como real participante de mais uma façanha, bem do seu ardiloso estilo, ou utilizado simbolicamente para um fim como acobertar algo deste nebuloso dossiê. De qualquer modo, ele vive e permanece um poder – efetivo ou servindo de valioso utilitário –, parecendo que o sistema não consegue desgarrar-se dele. De tudo quanto se viu de companheiros históricos de partido e ideologia, de assessores, de amigos chegados e até do churrasqueiro pessoal do Presidente, conclui-se que Lula não pode estar por fora de tudo – pois convivia estreitamente com essas pessoas – e nem pode continuar afirmando que nada sabia sobre nada e não figure entre os articuladores de tanta coisa que aconteceu, porque no mínimo ele foi um cordato conivente.

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