A formalização de recursos oficiais de crédito voltados a amparar os produtores que incorporam à moderna agricultura terras degradadas da região arenosa do Noroeste paranaense a serem anunciados hoje em Umuarama representa o reconhecimento das autoridades de que é preciso aproveitar o potencial dessa nova e importante fronteira agrícola que se abre para o País.
O Paraná é o grande beneficiado com tudo isso: o arenito representa 2,3 milhões de hectares de terras sobre as quais, até pouco tempo, pairavam incertezas em relação ao futuro. Isto porque não se acreditava, até meados da última década, de que fosse possível investir em lavouras mecanizadas em cima de solos de textura arenosa. Os paranaenses, afinal, haviam assimilado o conceito de que arenito era sinônimo de pastagem e de baixo retorno econômico erosão, municípios empobrecidos e, o que é pior: falta de perspectivas.
Por maior que fosse o esforço e o investimento, não se poderia esperar que culturas como a laranja, a seda ou o café ocupassem toda a região, mesmo porque, certamente, não haveria mercado para absorver tamanha produção.
A alternativa viável para revitalizar o decadente Noroeste surgiu quase que naturalmente, no rastro do avanço tecnológico de uma cultura que há alguns anos parecia impensável para a região: a soja. A disseminação de práticas como o plantio direto, que protegem o solo arenoso e o mantêm com boas condições de umidade, abriu horizontes para a exploração do arenito, levando em conta ainda que não há problemas em expandir rapidamente a área cultivada com essa oleaginosa e tampouco dificuldades de comercialização. A isso se juntou mais tarde o desenvolvimento científico, a cargo da pesquisa oficial, que ofereceu aos produtores o necessário respaldo técnico.
Mais: o Noroeste possui estrutura cooperativista pronta para acolher as safras, conta com boa malha rodoviária e está relativamente próximo do Porto de Paranaguá. Além disso, muito mais do que se pensava, revelou-se uma próspera região para a agricultura, apresentando médias de produtividade iguais ou superiores às do latossolo, desde que recebendo o adequado pacote tecnológico.
Fácil, a partir de então, imaginar o forte impacto positivo com o advento dessa nova realidade. O Noroeste já é considerado uma nova fronteira agrícola, com área para ampliar de forma generosa a produção de grãos do Paraná. Observa-se uma correria para a compra de terras, antes desprezadas, ao mesmo tempo em que uma grande leva de produtores profissionais e bem equipados, esquadrinha os municípios em busca de espaços para arrendar. Para quem arrenda, as vantagens são enormes: sem gastar nada, reestrutura-se o solo e promove-se uma indispensável reforma das pastagens, que ficam em condições de abrigar em poucos anos um projeto de pecuária de alta produtividade.
Aliás, a proposta que se defende para o arenito não é o plantio de grãos em detrimento da pecuária, mas uma saudável integração entre ambas as atividades que, juntas, otimizam-se, de maneira que o produtor pode ter receita com a soja no verão e imediatamente a seguir com a engorda de bovinos no período de inverno, usando a mesma terra que estará plantada com aveia a qual servirá, também, para formar a base do plantio direto da agricultura. A aveia consolida-se, igualmente, como um grande negócio, pois é resistente às baixas temperaturas, possibilitando alimentação abundante para o gado nessa época crítica do ano.
Levando em conta a deplorável situação em que se encontram as pastagens do Noroeste 70% delas, afinal, estão abaixo dos níveis mínimos de produtividade exigíveis para fins de reforma agrária e caminhando para um processo de desertificação a oportunidade que surge com a agricultura pode ser considerada uma dádiva.
Daí é que as perspectivas para a região, nos próximos anos, passam a ser bastante alentadoras. Como consequência do avanço da agricultura, a renda regional será multiplicada muitas vezes em curto espaço de tempo, o mesmo ocorrendo com a geração de empregos.
Por isso é que o apoio oficial, através da liberação de recursos para custeio e investimento, reveste-se da máxima importância. Até agora, os agricultores interessados em investir na região não tinham outra alternativa. A grandeza do desafio de desbravar uma nova fronteira agrícola torna-se, assim, muito menos assustadora quando se pode contar com mecanismos de financiamento. Através deles será possível, em menor espaço de tempo, colocar novamente o Noroeste no caminho do desenvolvimento e da própria paz social, pois com menos terras improdutivas teremos também menos ocupações arbitrárias por parte do MST.


- LUIZ LOURENÇO é presidente da Cooperativa Cocamar, em Maringá

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