Londrina não precisa de mais monumentos. Nem aos 100 nem aos 200 anos. As estruturas que existem por aí, estão esquecidas e abandonadas.

Em 1943 foi realizada uma grande remodelação da Praça Matriz em Londrina. Tinha traçado geométrico e um monumento no centro. Uma foto colorizada da época mostra jardins floridos, um monumento, bancos-bola, e nenhuma árvore em volta. A praça com jardins de flores coloridas era um ato civilizatório. Fazia contraponto à floresta em volta.

Mas, afinal, que modelo foi adotado para o traçado desse espaço público simbólico em Londrina? O formato em asterisco, com vias ligando os quatro cantos em diagonal, pode ser identificado nas plantas de 1934, 1938 e 1941. Mas, nos registros da época não havia citação sobre a bandeira inglesa. O traçado em forma de bandeira inglesa em Londrina tem origem na praça projetada pela Brasil Plantations Syndicate - BPS (1938) no empreendimento na EFNO SP. Ficava localizado junto à avenida Britannia.

Traçado tipo “Union Jack” e nome Britannia reafirmavam, conjuntamente, a auto-homenagem da colonizadora. Ao ser transferido da BPS para a Companhia de Terras Norte do Paraná - CTNP, esse traçado da bandeira inglesa com fonte central foi simplificado. Manteve, todavia, o nome Britannia da avenida. Revela o DNA britânico.

Na praça de Londrina (1943), foi implantado um “monumental” altar da pátria. Construído com blocos de basalto maciço de duas cores: cinza escuro e cinza-rosa. Trazia uma placa de bronze na face voltada ao calçadão atual. Tinha texto emoldurado por ramos de café: “Ao Civismo do Povo de Londrina, uma Homenagem da Prefeitura Municipal, 1 de Maio de 1943”. Esta placa foi roubada há duas décadas. Foi várias vezes informado aos órgãos competentes nesse período.

O desconhecimento da história e significados também fez com que, durante vários anos, o altar fosse pintado nas cores da administração municipal de cada época. A haste do monumento serviu como estrutura de uma árvore de Natal. Durante muito tempo, o piso original da Praça era asfalto. O primeiro local em Londrina onde esse moderno material foi utilizado. Foi substituído por pavers.

A onda da acessibilidade resultou no projeto de duas rampas em “S” na RJ e SP. Conversando com os responsáveis, a intervenção foi interrompida a tempo. Foi possível preservar o traçado e as meticulosas canaletas internas de pedra. No lugar do “S” foi proposta a entrada na praça através da ligação principal, o eixo NS. De fato, a entrada da Praça Marechal Floriano é a rampa da antiga avenida Paraná. Dali podemos visualizar o altar e as marca antiga da placa de bronze.

Preparando os próximos 100, 200 anos. Não um monumento. Mas, um “monumental trabalho” contínuo de restauro e recuperação de significados de praças históricas poderia ser realizado.

Humberto Yamaki, coordenador do Tres Boccas Laboratório de Paisagem

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