Tem-se afirmado que o Brasil-cidadão avança, apesar dos governos. Agora, pesquisa da Serasa ontem divulgada demonstra que a comunidade industrial está otimista e acredita que 2006 será um ano bom para os negócios e os investimentos. Foram consultadas 960 empresas brasileiras, e 65% dos empresários ouvidos acreditam em expansão e em dinamização da economia no decorrer deste ano. E isto nada tem a ver com eventuais medidas governamentais, porque estas não aconteceram. A própria saída do ministro Antonio Palocci não teve influência, e segundo a Serasa essa não-vinculação com a mudança de ministro ‘‘é uma demonstração clara de que as empresas têm conseguido separar das coisas públicas os seus negócios’’. Natural que se o Governo auxiliasse, em forma de diminuição da carga tributária, da redução dos encargos sobre salários, da reformulação da legislação trabalhista, de uma política de baixa dos juros, o Brasil se converteria em nação de primeiro mundo. Mas enquanto esses milagres não acontecem, a cadeia produtiva nacional vai andando pelas próprias pernas e avançando, mesmo que a trancos e barrancos. O otimismo não se manifesta apenas em palavras, mas em perspectivas de as empresas ouvidas investirem mais, no correr do ano, e também no ano que vem. E atente-se que em 2007 já se terá novo governo federal, novos governadores, novos senadores e deputados, significando que a expectativa otimista não atenta para esse detalhe. Ou seja, parece que não há preocupação com quem esteja no poder, e sim com as potencialidades da comunidade empresarial - minigovernos em sua esfera de ação e com poderes para levantar este país, de tão péssimos e corruptos governantes. Os candidatos em campanha certamente irão tirar proveito deste otimismo, afirmando que tenham dado alguma contribuição para isso, mas sabe-se que o mais que eles têm feito é gastar abusadamente o dinheiro público, apossar-se dele indevidamente, não haverem diminuído o peso da máquina governamental e nem a burocracia, e nem feito alguma reforma contribuidora do desenvolvimento. Por via de novos investimentos, como se prenuncia, a oferta de emprego aumentará - e só desta forma tal acontecerá e não através de discursos eleitoreiros, porque vagas de trabalho não se abrem ao sabor de palavras vãs. Melhor seria se o Governo - que em nada contribui - atrapalhasse menos, mas as classes produtoras nacional já demonstraram que têm capacidade suficiente para alavancar este país e, pelo caminho do desenvolvimento, ir eliminando as misérias sociais. Bom seria que o Governo fosse perdendo poder, de modo a converter-se apenas em guardião das instituições, como acontece em países muitíssimo adiantados, onde o papel do Estado é mínimo na sua relação com a atividade econômica, só lhe incumbindo os serviços sociais que lhe são específicos e pertinentes.

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