A grande vencedora da Copa do Mundo de 2026 foi a Espanha, que derrotou a Argentina na final. No entanto, muitos outros campeões faturaram alto sem sequer entrar em campo. Esta edição inédita — com 48 seleções e 104 jogos disputados em 16 cidades dos Estados Unidos, Canadá e México — consagrou-se como a maior máquina de negócios da história do esporte, elevando os ativos comerciais da Fifa a patamares sem precedentes.

A receita direta ao longo do ciclo de preparação e de realização do torneio atingiu o recorde de US$ 15 bilhões, superando com folga os US$ 7,6 bilhões arrecadados na Copa do Catar, em 2022. Esse salto financeiro foi impulsionado por uma estratégia comercial agressiva e centralizada da Fifa.

Os direitos de transmissão renderam cerca de US$ 3,9 bilhões, impulsionados por fusos horários altamente atrativos para os mercados norte-americano e europeu. O setor de bilheteria e hospitalidade, inspirado no modelo de entretenimento das grandes ligas americanas, totalizou US$ 3 bilhões. Já os contratos de patrocínio e marketing atraíram grandes marcas globais, que injetaram mais de US$ 2,8 bilhões para explorar placas de publicidade e ativações digitais.

Outra inovação comercial de forte impacto foi a inclusão de pausas obrigatórias para hidratação. Essas novas janelas de intervalo abriram espaço para anúncios televisivos adicionais, monetizando o tempo de jogo nos mesmos moldes do futebol americano.

A participação de 48 seleções transformou o torneio em um espetáculo global, com recordes de público nos estádios e nas telas, consolidando o mundial como o evento periódico de maior engajamento digital e midiático do planeta. Ao todo, mais de 6,6 milhões de torcedores compareceram às arenas, uma taxa de ocupação de 99,7% que praticamente dobrou o recorde da Copa de 1994, também na América do Norte.

Nas plataformas digitais, a Fifa contabilizou quase 6 bilhões de interações, somando transmissões de TV e serviços de streaming. O ápice foi a final, com audiência estimada de 1,8 bilhão de pessoas conectadas simultaneamente. O índice supera com folga os patamares internacionais de eventos tradicionais como os Jogos Olímpicos e o Super Bowl.

Estimativas apontam um impacto econômico global de até US$ 41 bilhões, com a criação de mais de 824 mil empregos temporários ao redor do mundo. O boom de consumo nos países participantes disparou. No Brasil, o comércio varejista teve um crescimento real de 6,5% em relação ao mundial de 2022, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Por outro lado, a indústria das apostas — um verdadeiro cassino online que tem causado sérios problemas de saúde e financeiros para os dependentes dos jogos — movimentou a impressionante marca de US$ 50 bilhões globalmente durante o período da competição.

Na Copa da inclusão, quatro países participaram pela primeira vez: Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão. Entre esses novatos, o grande destaque foi Cabo Verde, que terminou a fase de grupos de forma invicta no Grupo H, tendo inclusive empatado em 0 a 0 contra a poderosa Espanha. Na fase eliminatória de 16 avos de final, os cabo-verdianos venderam caro a derrota por 3 a 2 para a Argentina na prorrogação. O goleiro Vozinha, aos 40 anos, ficou mundialmente conhecido.

Pela disciplina tática, pelo futebol coletivo e pelo bom nível técnico de seus jogadores, a Espanha mereceu vencer a Copa de 2026. Antes de derrotar os argentinos na final, os espanhóis já haviam superado outras seleções favoritas ao título, como Portugal, Bélgica e França.

Em campanha para a reeleição na Fifa, Gianni Infantino já anunciou que, em 2030, quando será comemorado o centenário da Copa do Mundo, o torneio será disputado em seis países de três continentes. A cerimônia de abertura acontecerá no Uruguai, que também receberá um jogo, com uma partida na Argentina e outra no Paraguai. Na sequência, os jogos serão disputados na Espanha, Portugal e Marrocos. Detalhe: não será surpresa se o próximo mundial de futebol tiver 64 países participantes, afinal, o show (e o alto faturamento) precisa continuar.

Edinelson Alves, jornalista

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