Um lugar onde a arte ganha futuro
O P_ARTE é apresentado como o primeiro museu a céu aberto dedicado inteiramente à arte brasileira
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sexta-feira, 23 de outubro de 2026
O P_ARTE é apresentado como o primeiro museu a céu aberto dedicado inteiramente à arte brasileira
Abraham Shapiro 
Dia 16 passado tive uma das manhãs mais significativas de toda a minha vida. Participei de um encontro em Ibiporã para conhecer a apresentação do P_ARTE, o Parque Geminiani Momesso de Arte Brasileira. Saí de lá positivamente chocado. Não foi apenas pela dimensão do lugar, mas pela grandeza e pela profundidade da ideia que está sendo construída alí.
O P_ARTE é apresentado como o primeiro museu a céu aberto dedicado inteiramente à arte brasileira. Reúne arte, arquitetura, educação e cuidado com a natureza. A proposta é transformar uma coleção particular, formada ao longo de mais de cinquenta anos, em um patrimônio aberto à experiência de outras pessoas. Isso muda o sentido de uma coleção: em vez de permanecer guardada para poucos, ela passa a criar oportunidades de encontro, aprendizado e contemplação.
Os números ajudam a entender a escala. O território tem 1,6 milhão de metros quadrados. O acervo reúne mais de cinco mil obras. Há mais de noventa esculturas monumentais e o projeto prevê doze pavilhões. Mas os números, sozinhos, não explicam o que me impressionou. Uma coisa é contar obras. Outra é compreender o trabalho necessário para organizar tudo isso, cuidar das peças, preparar os espaços e fazer com que o público possa usufruir desse patrimônio.
Na apresentação, Orandi Momesso, idealizador e diretor-geral do parque, conversou com empresários sobre os próximos passos. Ao ouvi-lo, percebi que não se trata de uma ideia improvisada para produzir um efeito imediato. Há uma visão de longo prazo: formar um lugar onde a arte brasileira possa ser vista, estudada e preservada, em diálogo com a paisagem.
Essa visão tem profundidade porque liga coisas que muitas vezes tratamos separadamente. A arte não aparece isolada da natureza. A educação não é uma atividade à parte. E preservar não significa apenas guardar objetos. Significa cuidar de um conjunto de condições para que as obras, as histórias e as perguntas que elas despertam continuem acessíveis.
Os pavilhões também dão ordem à experiência. Cada um pode apresentar um tema, um período ou uma linguagem artística, para que o visitante não veja apenas uma sequência de objetos. Ele pode comparar, fazer perguntas e perceber que a arte brasileira não cabe numa única forma. O percurso transforma a visita em descoberta: caminhar pelo parque também é aprender. É uma aula sem quadro-negro.
Também me chamou a atenção a decisão de colocar um projeto dessa dimensão no Norte do Paraná. Grandes iniciativas culturais costumam ser associadas às capitais e aos centros mais conhecidos. O P_ARTE mostra que a cultura pode criar raízes em outros lugares e atrair pessoas para conhecer uma região por um motivo novo. Isso pode ampliar o acesso à arte e fortalecer a vida cultural local.
Uma obra desse porte não se realiza pela vontade de uma pessoa apenas. Exige planejamento, recursos, equipe, cuidado e continuidade. Por isso, a participação de empresas e da sociedade pode ser importante. Apoiar um projeto assim não é somente ajudar a manter um espaço. É contribuir para que um patrimônio cultural seja preservado e compartilhado com as próximas gerações.
Saí do encontro com admiração, mas também com uma pergunta: quantas ideias valiosas continuam pequenas porque ninguém as transforma em compromisso de longo prazo? Orandi Momesso fez isso com uma paixão construída durante décadas. O que era uma coleção particular está se tornando um lugar de encontro entre arte, natureza e público.
Foi essa transformação que me deixou a visão de algo realmente fantástico. O P_ARTE não guarda apenas obras. Guarda uma escolha: a de acreditar que a beleza, a memória e o conhecimento merecem espaço, trabalho e futuro. E talvez essa seja sua maior obra: não apenas reunir arte brasileira, mas fazer que mais pessoas possam encontrá-la, aprender e vivenciá-la.
Abraham Shapiro, consultor de empresas


