Um limite à concorrência predatória
Confecções, calçados, principalmente tênis, e outros produtos ''made in China'', fabricados com baixo custo pela mão-de-obra barata, sempre representaram uma concorrência difícil para os similares brasileiros. Aos produtos chineses pode-se debitar até o fracasso nas vendas de nossas indústrias e a consequente redução da oferta de empregos. Muitas empresas paranaenses tiveram que enfrentar essa concorrência, que alguns economistas consideram predatória.
Mas, se não bastasse a sua avassaladora competitividade no mercado formal - porque são realmente eficientes -, os chineses também prejudicam a indústria nacional pelo lado da informalidade e da ilegalidade comercial.
O próprio governo brasileiro calcula que ''de cada três produtos pirateados vendidos no País, dois são chineses''.
Essa dificuldade imposta ao mercado nacional, contudo, não tem sido suficiente para que o governo brasileiro tome alguma iniciativa para defender seu mercado interno da força desse negócio da China.
O Brasil não aderiu, por exemplo, à iniciativa da Organização Mundial do Comércio (OMC) na sua investida contra a possível fraude que estaria sendo praticada pelo comércio da China. A OMC está reagindo contra a China por pirataria.
A pedido dos Estados Unidos, a OMC abriu ontem uma investigação contra os supostos crimes de pirataria na China. Ao contrário da posição do Brasil, Argentina, México, Japão e União Européia farão parte do processo.
Pequim tenta apresentar o caso como um ataque a todos os países emergentes e acusa os americanos de estarem exigindo leis e ações mais duras para garantir a propriedade intelectual que as próprias regras internacionais estipulam.
Segundo a OMC, as leis chinesas não garantem proteção à propriedade intelectual enquanto o conteúdo de obras estrangeiras é avaliado por órgãos de censura. Os americanos alegam que isso permite que distribuidores locais comecem a vender os produtos antes mesmo da empresa que detém os direitos sobre as obras.





