Certamente que não se deve avaliar todo o MST pelas palavras do cabeleireiro e da desempregada que, acoplando-se a uma das invasões a propriedades rurais, no Estado de São Paulo, declararam que invadir uma fazenda e ficar nela por alguns dias ''é como um lazer rural'' e que ''é alegre e divertido''. Mas a verdade é que há muitos delirantes envolvidos no processo. O Movimento dos Sem-Terra, que não se compõe, como equivocadamente se pode supor, apenas de colonos, é na verdade uma instituição de características múltiplas, tanto na composição de seus quadros quanto de seu ideário. No comando estão os líderes, que não são propriamente idealistas, pois carregam mais o emblema de agitadores sociais do tipo ''infernizador'', que se nutrem da popularidade e servem mais à causa pessoal do ódio contra os proprietários rurais do que a do amor aos sem-terra. Outros são os deslumbrados, que se alegram e se divertem ao participar de uma invasão. Outros ainda são os inocentes úteis, habitantes das zonas pobres das cidades, ou desempregados, que são seduzidos pela idéia de ganhar um pedaço de terra e naturalmente não para trabalhar nela mas para vendê-la. E existem os bem-intencionados, com experiência em lidas do campo, que desejam retornar à atividade e ali fincar raízes, com a família.

Segmentos da imprensa, lideranças rurais e estudiosos do setor têm apontado para um caminho de solução, que é criar uma legislação trabalhista específica para o trabalhador rural pois a atual CLT que rege o trabalho urbano não pode ser a mesma da relação do campo, e isto já é de consenso. Há uma vasta oferta de trabalho na agricultura, porém ninguém se arrisca a contratar e abrigar famílias, pelo temor dessa lei inadequada. Provou-se que o emprego rural, pela forma do contrato de trabalho, pelo arrendamento ou parceria, agrada tanto os sem-terra quanto eles possuírem sua própria gleba. Porque o que importa é ocupação, ganho e segurança familiar. Estudos demonstram que uma família empregada no campo e instalada com moradia, na propriedade terá renda maior que explorando uma pequena área própria.

Não tem muita consistência o que afirma o coordenador do MST no Paraná, Roberto Baggio, quando se refere às propriedades agrícolas do Estado e condena o fato de 61% delas (número que ele apresenta) estarem em poder de 26 mil proprietários. Ocorre que o Paraná é um produtor em escala, com lavouras e pecuária altamente produtivas, que servem ao consumo interno de alimentos e fortalece as vendas externas necessidades nacionais que só os insensatos podem desprezar. O argumento caberia se o Brasil não tivesse ainda 90 milhões de hectares de terra fértil por explorar. Não existem no Paraná terras em condições de exploração que não estejam produzindo, pois todas são ocupadas por grandes, médios e pequenos agricultores, e se alguma exceção há, não chega a ter grande peso de significância. Já está implantada aqui uma bem estruturada forma agrária, e não é visando este Estado que a questão da terra se resolverá, quando o País tem enorme reserva ainda por povoar e fazê-la produzir.

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