Um ISO eleitoral
Uma da manias da moda é a certificação de qualidade pelo ISO e mais aquilo. Pois se há um setor carente de classificação, feita com um mínimo de rigor, é o teor das propostas dos candidatos. Em primeiro lugar, no caso presidencial, eles se parecem tanto nas mostras de bom mocismo e de corretores da esperança que perderam, há muito, a sua identidade.
O abuso chegou a tal ponto que o candidato José Serra, ainda em queda livre, acha que checar esse manancial de filantropia e generosidade é o caminho para reverter o processo das pesquisas. Quem promete tudo para todos, como leciona o mestre Belmiro Valverde, acaba produzindo nada para ninguém.
Não há como, por exemplo, mostrar-se palatável às exigências do FMI e indicar ao mesmo tempo formas de ruptura contra o modelo. Se fosse procedida avaliação de ordem doutrinário-ideológica sobre os fundamentos teóricos em que se baseiam os candidatos daria para perceber a mais absoluta confusão pela simples evidência de qualquer ajuste orgânico entre tantas idéias esparsas.
Dentre as tantas ONGs que pretendem policiar o processo eleitoral uma delas poderia exatamente captar as incongruências e denunciá-las não apenas no campo teórico, o que seria sofisticado demais, mas na visão mais imediata e popular do bom senso. A equação da omelete precedida da quebra de ovos é um alerta.
BIZARRICE O Gerson Guelman deve estar repousando. Não soltou nenhum foguete pela vitória internacional de Lerner entre arquitetos.
AXIOMA Ciro Gomes, segundo informações de cocheira, teria parado de crescer.
Em compensação o José Serra e o Beto Richa, do PSDB, são apelidados de bonsai, aquela árvore anã dos japoneses, com mais significados do que frutos.
GLOSA Quando Rafael Greca e Margarita, em carro aberto, à moda de John e Jacqueline Kennedy, inauguraram em desfile a Vicente Machado sugeri que do alto de uma janela Cândido Gomes Chagas, espingarda de rolha à mão, tentava imitar Lee Osvald. Pois agora o Candinho, com arma verdadeira em punho, vai derrubar os ''pardais'' eletrônicos. Dedicou 12 páginas da revista ''Paraná em Páginas'' ao assunto, mexendo com os brios da cidadania e vereadores.
EPIGRAMA Argentinos começam a rir do Brasil: o peso só está 40 centavos abaixo do real. Camboriú imagina a volta dos gringos. E como estão muito pobres de repente descobrem Matinhos, Pontal, Caiobá e Guaratuba.
FOLCLORE Antes de pensar nos pobres, alguns candidatos a governador precisam colocar como prioridade o emprego dos cupinchas que andam na pior. E essa, como sempre, vai ser bíblica: muitos chamados, nem todos escolhidos.
SCAPS Não dá para aguentar o politicamente correto: agora querem indenização de produtores e importadores de bebidas por causa dos alcoólatras. Em breve teremos ações dos obesos contra o McDonald e Santa Felicidade com seu show de polenta, frango e risoto. Em nenhum caso se leva em conta o ato voluntário da vítima em encher o caveirão ou a barriga.
CROMO A Maria, diante do computador, tem a postura radical do fio de prumo: até parece mais longelínea do que é, enquanto seus pensamentos vagam na direção de uma torre gótica.
AFORÍSTICO Bom mesmo era o tempo em que o dólar regulava com o valor dessas lojas de R$ 1,99.





