Um incêndio e as negligências
O incêndio da loja de artigos de Natal, em Londrina, alerta para a necessidade extrema de cuidados e para as negligências de proprietários, dos que fazem instalações elétricas e dos que as mantêm perigosas. Lugar de artigos facilmente inflamáveis, como no caso, exige redobrada atenção. Revelou-se no episódio também deficiência no serviço de combate a incêndios. Depoimento de uma testemunha - no caso um oficial de Justiça, que se encontrava dentro da loja - informa que os bombeiros demoraram meia hora para chegar, e uma das sedes da corporação está a apenas quatro quadras do local. Pergunta-se porque ocorre um problema com bomba dágua - como foi atestado pelos próprios bombeiros - se esses equipamentos precisam ser constantemente checados e porque um dos hidrantes externos não tinha água. A perícia irá investigar a origem do incêndio, mas em local onde havia muitas luzes acesas, inclusive nos ornamentos natalinos à venda, imagina-se sobrecarga do sistema elétrico. Com fios superaquecidos o fogo se produz. O que menos a população quer ler e ouvir nos veículos de comunicação é que faltou água e que os bombeiros falharam pela suposta demora, por isso será preciso avaliar até onde isso é verdadeiro e porque um hidrante não funcionou e estava ali apenas como enfeite. Onde a inspeção preventiva regular, que deve haver? Se os bombeiros dispõem de muito tempo para zelar por essa segurança - porque a ocorrência de incêndios não é frequente - não se aceita que o aparato de fornecimento de água não tenha exatamente a água! E a fiscalização encarregada de dar licença de funcionmento a um estabelecimento comercial teria feito o seu trabalho a contento, no caso dessa loja? Se os incêndios não são acontecimentos do dia-a-dia, e se quando eles acontecem não são atendidos prontamente - a ser verdadeiro o atraso de chegada dos bombeiros - então o sistema carece de revisão em sua estrutura e estratégia. Da mesma forma, a fiscalização precisa ser chamada à responsabilidade. Antes de qualquer conclusão da perícia, falhas já estão constatadas, como estas da bomba e do hidrante, restando saber também da quase certa precariedade da instalação elétrica na loja. O denunciado atraso dos combatentes do fogo - que estavam tão perto - deve ser também avaliado, para saber-se onde existe deficiência funcional ou, eventualmente, o excessivo zelo em checar chamadas, por causa dos trotes. Porque a burocracia pode resultar na extensão de um sinistro. Que ao menos o prejuízo com este caso sirva de alerta para corrigir os desleixos constatados; para a fiscalização sobre os sistemas elétricos; e para os proprietários de construções antigas, estas mais propensas a terem fiação perigosa.





