Um golpe no bolso do consumidor
As quadrilhas de criminosos que atuam no mercado de combustível estão cada vez mais sofisticadas. Depois da sonegação fiscal e da ''gasolina batizada'', o brasileiro começou a semana sentindo-se impotente frente à nova modalidade de golpe comprovada por um programa de televisão. Dessa vez, a irregularidade fere diretamente ao bolso do consumidor, pois as denúncias mostram que bombas de combustível adulteradas forneciam bem menos gasolina ou etanol do que marcavam os mostradores.
Abastecer o carro é mais que simplesmente comprar um produto. Trata-se de uma relação de confiança entre consumidor e comerciante, reciprocidade colocada - mais uma vez - em dúvida frente a mais uma denúncia de crime provocada pela tão temida ''máfia dos combustíveis''. Sindicatos que representam as categorias envolvidas abominam esse termo, mas como nominar uma gangue que mais uma vez lesa de maneira tão vergonhosa o cliente?
A fraude foi verificada em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Mas não é difícil acreditar que outros Estados brasileiros sejam alvo. Em Curitiba, 40 postos estão sob suspeita. O Ministério Público sabe que será difícil colocar atrás das grades empresários, pois desde que a reportagem da televisão foi mostrada no domingo à noite, eles tiveram tempo mais do que suficiente para apagar as provas. Os órgãos competentes correm contra o tempo para investigar e periciar as bombas de combustível. Tarefa nada fácil.
Cleber Salazar, o homem acusado de vender e instalar os dispositivos que desviavam de volta para a bomba o combustível que deveria ir para o tanque dos veículos, está preso. Agora, a população torce para que as autoridades competentes consigam as provas que levem para a prisão donos de postos envolvidos.
Como o consumidor poderá se proteger desse tipo de fraude, se não há como ver e medir a quantidade da gasolina ou etanol que é colocado no carro? Voltamos de novo à relação de confiança entre cliente e donos de postos, mas é preciso que órgãos de fiscalização e a Agência Nacional do Petróleo cumpram o dever de fiscalizar, autuar os infratores e fechar os estabelecimentos irregulares.





