O banco dos Brics arranjo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul constituído em julho deste ano e chamado de Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), é um contraponto às instituições estabelecidas em Bretton Woods Acordo de 1994, que criou o Fundo Monetário Internacional(FMI) e o Banco Mundial.
O anúncio do banco, após dois anos de negociações, tem impacto significativo sobre a distribuição de poder econômico e político em nível mundial de maneira mais difusa. O NDB pode representar uma redução da influência internacional dos Estados Unidos e União Europeia, bem como expandir a influência dos países emergentes. Mas não representa, entretanto, o golpe final à preeminência norte-americana, já que os fundos serão garantidos em dólar.
O objetivo do banco é financiar projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento e auxiliá-los em casos de crises externas, tais como a que vive atualmente a Argentina. O banco faz parte de uma estratégia para restringir a hegemonia norte-americana e permitir a ascensão de novos países.
O acordo entre os Brics permite que outros países se associem ao banco. Porém, os fundadores manterão um mínimo de 55% de participação conjunta.
Pode-se defender que o principal beneficiário dessa instituição é a China, que dispõe da maior reserva de dólares fora dos Estados Unidos e pode desafogar esse excesso, além de expandir ainda mais sua relevância política.
Um dos desafios do NBD é evitar a influência excessiva da China sobre o banco. O PIB chinês é substancialmente maior que o das demais economias envolvidas. Além disso, é de longe, a economia que mais cresce, com taxas de mais de 7% ao ano, na última década.
O capital inicial do NBD de US$ 50 bilhões foi fornecido de modo igualitário entre os cinco membros. Por sua vez, quase 41% do fundo de US$ 100 bilhões, será financiado pela China. Brasil, Índia e Rússia fornecerão US$ 18 bilhões. África do Sul, menor economia entre os cinco países, garantirá US$ 5 bilhões.
A China não tem interesse que sua moeda seja valorizada, pois isso ameaça sua posição como maior exportador mundial. Conquista obtida partir da constante desvalorização de sua moeda, o Yuan. Assim, predomina um acordo informal entre China e Estados Unidos para que o dólar continue forte e não prejudique as exportações dos asiáticos, sendo que são a principal fonte do extraordinário crescimento desta economia.
Talvez, a única forma de representar um golpe definitivo à predominância norte-americana fosse substituir o dólar por alguma das moedas dos países envolvidos. Porém, não há uma moeda forte o bastante para contrapor à hegemonia do dólar.
Outro desafio do banco será garantir que os projetos financiados por seus recursos promovam, de fato, desenvolvimento entre os países assistidos, uma vez que é sabido o histórico de corrupção entre os países participantes do Brics.

LUDMILA CULPI é professora de Relações Internacionais do Centro Universitário
Internacional (Uninter) em Curitiba



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