A agenda de degradação da política brasileira reserva pelo menos um golpe por semana. Os golpes são aplicados contra a democracia e vão minando a resistência dos que ainda se mantêm incólumes diante de tanta imoralidade institucionalizada.
Na semana que termina o golpe foi do PMDB contra o íntegro Pedro Simon, expulso da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) porque poderia oferecer algum risco à proteção de Renan Calheiro, alvo de acusações graves. Simon e Jarbas Vasconcelos foram excluídos.
Incrível como esse PMDB se permite vergar e ser manipulado pelo réu Renan Calheiros. Afundou de vez a sigla
que alguns ainda chamam de PMDB ‘‘velho de guerra’’. Velho sim, mas no sentido da decadência. Aliás, Ulysses Guimarães, embora morto, deve estar ‘‘morrendo’’ de vergonha, ou xingando muito.
Já na semana que entra, o golpe é outro. É o golpe para saquear. Para praticá-lo o Executivo se mobiliza visando concluir a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que
prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011.
O golpe desta semana começa na terça-feira, com a apreciação (e natural aprovação) da chamada ‘‘proposta da CPMF’’, único item da pauta da Câmara. Para aprová-la - segundo a Folhapress -, os governistas terão de garantir 308 votos favoráveis, no mínimo, do total de 513 deputados da Casa.
Com políticos engajados e comprometidos até o pescoço, a CPMF vai passar. E o povo vai bancar mais esta portentosa arrecadação, sobre a qual já se falou o suficiente, inclusive mensurando valores: é dinheiro que não acaba. Aliás, acaba rápido.
Portanto, com a prorrogação da CPMF, a máquina administrativa, o empreguismo, o custo Brasil, enfim tudo pode ficar como está que o povo banca. Reforma fiscal, então, nem pensar. A ineficiência do serviço público também pode permanecer intocada.
Sobre a destituição de Simon vale observar que ela foi proposta, nada mais, nada menos por Renan Calheiros. Cheio de moral ele.
A informação que rola em Brasília é que a destituição de Simon causou impacto e que senadores ameaçam paralisar a Casa com renúncia coletiva (Agência Estado, ontem). Nada mais causa impacto aos políticos. Como diz aquele RAP: está tudo dominado!

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