Um Fundo para o Oeste - Luiz Suzuke
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de março de 1998
Luiz Suzuke 
O término das obras na usina hidrelétrica de Itaipu e a consequente formação do lago originaram um grande complexo de ações, cujo objetivo principal era suprir a demanda de energia elétrica na região Sudoeste do Brasil. Em decorrência desse complexo e dos recursos que ele envolve, inúmeras expectativas foram criadas também na nossa região, entre as quais podemos destacar: a geração de empregos, na própria obra, e os benefícios de infra-estrutura propiciados pela hidrelétrica aos municípios da região.
Entretanto, com a conclusão da obra em Foz do Iguaçu, que empregava milhares de trabalhadores, um novo ciclo foi gerado e se espalhou pelas cidades vizinhas, criando grandes demandas sociais para estes. Surgiu, então, a preocupação de gerar empregos para os demitidos da obra, a segurança dos moradores lindeiros ao lago e outros problemas, que não cabe aqui ressaltar, todos, até o momento, sem solução definitiva.
Imaginou-se então uma forma, justa no princípio, mas injusta nos critérios, de compensar os municípios por essas demandas, com o pagamento de royalties pela energia elétrica gerada por Itaipu. Critérios injustos, a meu ver, porque levam em conta apenas a área alagada dos municípios e não consideram, por exemplo, características populacionais ou sociais, extensão territorial ou até mesmo a contribuição que os outros municípios, embora não lindeiros diretamente ao lago de Itaipu, oferecem com a qualidade da água do reservatório.
É nesse contexto que cabe a nossa proposta de criação de um Fundo de Desenvolvimento para a Região Oeste, utilizando parte dos recursos que os municípios recebem de royalties para serem aplicados em projetos regionais, seja em municípios lindeiros ou não.
Essa proposta não se deve apenas ao fato de que o meu município receba ínfimos 7 mil reais de royalties por mês, mas sim ao fato de que, desde a implantação deste programa de ressarcimento, em 1991, a região já recebeu mais de 240 milhões de dólares em royalties, e até o momento não surgiu nenhum projeto regional de grande porte. Tenho certeza que cada prefeito está sabendo aplicar corretamente os recursos dos royalties em seu município, mas só isso não basta. Num mundo globalizado, não haverá a Suíça do Oeste, mas o Oeste sim poderá se tornar uma Suíça se dermos início a um projeto regional arrojado, eliminando nossas fronteiras municipais e sepultando de vez a idéia de termos, individualmente, em cada município, uma ilha de prosperidade.
A idéia da criação do Fundo de Desenvolvimento Regional para o Oeste não é nenhuma novidade. Muitos, como o prefeito de Foz do Iguaçu, Harry Daijó, de Guaíra, Manoel Kuba, e o próprio presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco, já se manifestaram favoráveis à idéia. Creio que chegou a hora de colocarmos o assunto em debate com os demais prefeitos e toda a sociedade oestina.


