O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acaba de divulgar os dados preliminares do censo de 1996, feito por amostragem. Pelo levantamento, o Brasil conta hoje com uma população de 157 milhões de habitantes. Houve um crescimento de ordem de 11 milhões de pessoas entre 1991 e 1996, sendo que 1,8 milhão migrou do campo para a cidade no mesmo período. Esta migração corresponde a 350 mil famílias, número 35% maior do que o da meta de assentamento do governo FHC nos seus quatro anos de mandato.
Um outro estudo do IBGE, de 1995, revela que o setor agrícola, somente em seu conceito tradicional, compreendido pelas atividades dentro das fazendas, é, individualmente, o maior empregador do país, com 26% do total de postos de trabalho, seguido da prestação de serviços, com 19,1%, e da indústria de transformação, com 12,2%. Por isso, qualquer crise gerada na agricultura resulta na ampliação do maior problema nacional: a falta de empregos.
Segundo o diretor de Departamento de Planejamento Agrícola do Ministério da Agricultura, Antonio Lício, em seu trabalho ‘‘Agricultura: origem e solução do desemprego no Brasil’’, um mínimo de 3 milhões dos 4,5 milhões de desempregados existentes atualmente no Brasil originou-se da crise rural deflagrada no final da década passada. Contribuíram para este número os desempregos indiretos dos setores de agribusiness vinculados à agricultura. Segundo Lício, a soma de empregos na agricultura certamente ultrapassa a 50% do total, atingindo 100% em muitas regiões. Merece destaque a conclusão do IBGE de que a agricultura e a agroindústria estão entre os oito dos dez maiores geradores de emprego e renda no setor produtivo, que são pela ordem: agricultura (lavoura e pecuária), confecções (artigos de vestuário), indústria do café, abate de animais, laticínios, beneficiamento de vegetais, agroindústria do açúcar e álcool, serviços domésticos, indústria de óleos vegetais, madeira e mobiliário.
No Paraná, o resultado da crise na agricultura nas duas últimas décadas pode ser medido por um simples dado do IBGE, segundo o qual o Estado perdeu mais de 270 mil moradias rurais nesse período, um triste reflexo da modernização. Mais triste ainda é observar que dos mais de 270 mil estabelecimentos rurais abandonados, vendidos ou incorporados por propriedades maiores, 99.625 possuiam um tamanho médio de 50 hectares. Trata-se de uma realidade reconhecida por todos: institutos de pesquisas, governo e políticos de diversos matizes. Ninguém deixa de reconhecer, entretanto, o papel da agricultura na geração de divisas, empregos, rendas e no equilíbrio da balança comercial. Reconhecimento que não se traduz, no entanto, em políticas de preços, de comercialização, apoio tecnológico, linhas de crédito e cobertura em casos de frustrações de safra.
Os agricultores que migraram para as cidades, onde enfrentam toda a sorte de dificuldades, mantêm uma forte disposição de voltar para a atividade rural em busca de sua realização econômica e social. Todos os estudos realizados nesta área provam que o assentamento e assistência completa a uma família instalada num projeto de reforma agrária, até sua emancipação, demandam ente 15 mil e 30 mil reais, um número muito inferior ao custo da geração de um emprego na indústria, aliás como comprovam os valores para a instalação das montadoras automobilísticas na Região Metropolitana de Curitiba, para qual o governo vem dispensando recursos do Tesouro do Estado.
É por isso que estamos aqui apelando, mais uma vez, para o governo do Paraná e à sociedade paranaense, para que apóiem o projeto de criação do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura Familiar (FUNDAF) que tramita na Assembléia Legislativa com a assinatura de 24 deputados e para o qual estamos solicitando regime de urgência para a sua votação. Um mecanismo ágil e direto que vai garantir às dezenas de milhares de agricultores o acesso a recursos para custeio e investimentos em suas propriedades, evitando assim que o dramático quadro exposto pelo IBGE e outras fontes de pesquisas perdure. Somados aos recursos do PRONAF, o programa do governo federal voltado para a agricultura familiar, temos a firme convicção de que o FUNDAF vai se constituir num importante mecanismo de contenção de êxodo rural e de aumento do número de empregos em nosso Estado, que já deu todas as provas possíveis de sua vocação agrícola. Não é hora de vacilar, senhor governador.

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