Triste de uma nação que tem na esfera parlamentar homens que falam em plenário, e diante de câmeras e microfones, em ''dar uma surra'' no presidente da República. O sentido não é figurativo, mas literal, como uma forma de acertar pendengas no relacionamento entre representantes dos Poderes. O primeiro a ameaçar com a luta no braço foi o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, do Amazonas. O outro foi o deputado federal ACM Neto, como é conhecido o neto do babalorixá baiano. Certamente que um tal desforço físico não acontecerá, mas entristece saber que esse tipo de provocação esteja ocorrendo no ambiente das Casas maiores do Parlamento nacional. Se baixarias mais nocivas venham ocorrendo, como os escândalos da corrupção, esse linguajar baixo mostra o nível a que chegaram os políticos brasileiros da atualidade. A grosseria na comunicação verbal, a partir de agora, deixa de ser exclusividade dos improvisos de Lula. A razão da ameaça das surras (que, de sua parte, ACM disse mais tarde ser de mentirinha) é a suspeição dos dois parlamentares de estarem sendo vigiados pela Agência Brasileira de Inteligência (órgão de segurança do Executivo), por via do grampo de seus telefones. Escuta ilegal é crime, mas tanto Virgílio como ACM Neto, com toda a certeza, falam mais publicamente contra o Governo Lula por via da tribuna ou através dos veículos de comunicação e em todos os cantos do que falam pelo telefone. Devem ser preservadas, a qualquer preço, as questões da intimidade individual de cada um, porque é justamente disto que se valem os oponentes, nas ocasiões oportunas. Todo esse espetáculo o das ameaças de surras no presidente Lula converte-se em cena de circo, que a nação não deseja assistir. Não faltaram, nesse episódio, outros valentões que se apresentaram, não para apartar a briga mas para atiçá-la ainda mais. Um deles o deputado Ronaldo Caiado, do PFL de Goiás, forte e com um metro e noventa de altura, contra o qual o PT já apontou João Grandão, das fileiras do partido. Caiado lançou o repto de que o adversário ''é grande, mas gordo e sem agilidade''. Estes não são inventos dos repórteres que cobrem as duas Casas do Congresso, mas uma amostragem de algumas das ''saudáveis discussões'' que estão ocorrendo no âmbito da comunidade que representa o povo em Brasília. Enquanto isso, a possibilidade de punir os ladrões do mensalão é cada vez mais remota. Porque essa oposição, que fala em ''surras'', na verdade mostra-se tímida e frouxa. Ou conivente. Vai levar uma surra de pizza.

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