Um Exército Brancaleone
O PMDB local, mais uma vez, se coloca na contramão do processo, embora desta feita acompanhando a direção nacional entregue ao Rui Barbosa de Mombaça com a tese da candidatura própria. Como das vezes anteriores, tanto na tentativa de Álvaro Dias quanto na de Requião, o primeiro quarto colocado depois do Iris Rezende e o segundo que não ficou em terceiro porque havia só dois postulantes, a delegação saiu-se muito mal, embora a festa da claque.
E nos dois episódios, dado o personalismo dos candidatos, o que se viu foi o absoluto desprezo à regra democrática que manda acatar a decisão da maioria. Nem Álvaro Dias submeteu-se ao papel de legionário apoiando o faraó Ulysses Guimarães e muito menos Requião o fez em relação a Orestes Quércia. É verdade que mesmo com a baixa votação dos candidatos presidenciais, graças até a essa presença e ao voto camarão, aquele de sacrificar a cabeça, o que se deu nos dois casos, o PMDB continuou como o maior do país, posição que só agora recentemente perdeu. Esse é o maior argumento da candidatura própria. O resto é papo furado, retórica vazia e insistência em não perceber que o PMDB mudou, e muito, para pior. Nostalgicamente sua referência doutrinária ainda é a do tempo da resistência democrática, o que não cola mais. Nem com Super Bonder que cola coração, mas não recheia cérebros vazios de massa cinzenta nova.
E ontem o Orlando Pessutti, a quem é atribuída maliciosamente a sugestão para que Mário Pereira reassumisse a presidência do Diretório Regional, e o Milton Buabssi, bom devoto e fraco de voto, foram em missão diplomática tentar mudar o quadro em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde a maioria esmagadora é pela reeleição de FHC. É um Exército Brancaleone sem a dignidade daquele que no filme clássico era comandado pelo genial Vitório Gasmann.
Enquanto procuram somar prosélitos perdem apoios no seu terreno, não apenas o de Mário Pereira, mas o de prefeitos como o de Assis Chateaubriand que decidiu ir mais longe ao apoiar a reeleição de Lerner. E a cidade é um símbolo por causa da campanha do Requião e a história do Ferreirinha, o que torna ainda mais traumática a alegoria dessa aliança.
O PMDB, seja qual for o resultado da convenção, sai rachado: luta-se apenas para que não se torne parecido com os edifícios construídos pelo Sérgio Naya.
BIZARRICE Campanha jogue limpo do deputado federal Luciano Pizzato que consistia em distribuir sacos plásticos na praia, para evitar acúmulo de lixo, pagou os meninos que faziam o trabalho, mas deixou de fazê-lo com os postos de combustíveis que foram vítimas do calote. O governo, segundo um dos executivos da campanha, não está pagando ninguém e neste caso com um atraso de quatro meses. Segundo o Rubinho Ferreira, hoje exilado voluntário em Guaratuba, no ano que vem os mais realistas preferem que a campanha mude para jogue sujo porque seria mais honesto.
Se o governo não paga seus compromissos, como é que pretende que o consumidor assuma sua função de captar impostos, aliás fajutados por quadrilhas? Se 38,94% da população economicamente ativa da Região Metropolitana não cobre os seus compromissos, como poderão os empresários caloteados pagar tributos?
SPRAY Em função do sufoco, 90% dos prefeitos do PMDB ficam com a reeleição de Lerner. São 68, por enquanto.- Hoje na microrregião de Campo Mourão, Tauillo Tezelli fala em nome dos 25 municipíos. É PSDB e como Jairo Gianotto, de Maringá, e Antonio Teruo Kato, de Paranavaí, pró Lerner.- Se o governo não fosse açodado e criasse melhor clima para divulgar a pesquisa Vox Populi (Lerner 44, Álvaro e Requião com 17 cada um) haveria mais adesões de burgomestres que andam matando cachorro a grito.- Da pesquisa um número absurdo: os 20 pontos a Rafael Greca para o Senado e com uma lista em que não aparecem Toni Garcia e Zé Eduardo e incluem gente fora da jogada.- O poder do governo é fogo, mesmo na crise atual: os que apostam nele, que não paga suas contas (vide alugueres, precatórios, empreiteiros, débitos trabalhistas), acham que vale a pena esperar, acreditando que perto do pleito haja milagre e a grana apareça.- Motoristas dos Correios estão na ante-sala da guilhotina: se não observarem o Código de Trânsito nas operações de carga e descarga vão perder os seus empregos, o que é digno de Herodes e Calígula.- Sumiu a página da Internet que dava as contas do governo federal. Maliciosos acham que vai haver derrame para neutralizar o PMDB. Com um governo que arranca tudo na base do fisiologismo a presunção passa a ter força de verdade.- Ninguém, de bom senso, é contra a cultura. Mas despejar dinheiro em cima de festival de teatro é um escárnio numa hora de durezas como essa para um minoria da burguesia deleitar-se. O mesmo se dá com o esporte com o Osvaldinho Santos dando aulas de gerenciamento na área, logo ele o pós-graduado da Leasing estourada.-
FOLCLORE Convém, depois do que houve em Londrina com aquele médico que colou uma parte do coração de uma paciente com Super Bonder, esclarecer que o produto é de alta toxicidade e que há um caso de manipulação indevida que levou uma pessoa a apanhar constantemente na rua: o dedo indicador grudou no polegar e quem o via assim na rua achava que estava sendo insultado e mandado para aquele lugar. Conforme o projeto da senadora Bendita da Silva o sujeito se enquadraria no assédio sexual. Já nos States o sinal seria de OK.
AFORÍSTICO Se a oposição regional estiver sorrindo olhe bem para ver se não se trata de uma sequela de derrame cerebral com um ritus permanente.





