A falta de políticas públicas obriga os cidadãos a buscar soluções para problemas decorrentes da omissão do poder público. No caso da segurança, conforme entrevista do advogado Egon Bockmann Moreira, publicada nesta FOLHA, ontem, a população vem tentando suprir a ausência do Estado com gastos que oneram o orçamento já espremido por tributos. Dinheiro que poderia ser destinado a investimentos são usados no pagamento de vigias, construção de cercas e muros, despesas com seguro contra roubo, alarmes, etc. Tudo em busca da sensação de segurança.
  Já no caso da saú-de pública, que deve ser garantida pelo Estado, mais uma vez a população se vê diante de um descaso: para restringir o acesso ao serviço de imunização contra a gripe A (H1N1), o governo federal cria um calendário impedindo que todos sejam imunizados.
  E apesar da liminar que obriga o Paraná a vacinar toda a população e não apenas um grupo restrito, o cidadão não tem acesso a esse direito e é obrigado a gastar em clínicas particulares. Alguns, seguindo o exemplo da classe que se corrompe, começam a mentir (leia matéria sobre a vacina na página 7).
  A pergunta é: Não está mais do que na hora de pessoas que têm o dever de fazer cumprir as leis entrarem em ação obrigando o Estado a cumprir sua parte ou então que a população não seja mais obrigada a bancar o ônus?
  Ao comentar as despesas que as famílias têm com segurança, educação e outros itens, que são atribuição do Estado, o advogado Egon Bockmann Moreira, mostrou que os governos cobram impostos e não retribuem em serviço. Da entrevista também conclui-se, mais uma vez, que Estado brasileiro é omisso nas questões cruciais e ainda presta um serviço de baixa qualidade. E a Justiça é falha porque não age ou demora muito para interferir em favor dos cidadãos. Decididamente está difícil carregar uma estrutura tão pesada que não retribui em serviços de qualidade, nem mesmo em momentos de iminente perigo como agora na questão das vacinas. É de se perguntar até quando essa gente vai atuar no ritmo de Brasília.

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