A festa das Olimpíadas induz a inevitáveis reflexões sobre a capacidade do homem de conviver em harmonia, e faz pensar por que a paz entre os povos da Terra não pode ser constante se esta é uma vontade comum. Se o espírito da sadia competição preside a grande maratona esportiva e estabelece um ordenamento que todos seguem e respeitam, não se concebe como fora dessa arena as coisas se transformam e criam campos de violenta disputa. Gente das mais diversas origens e diferentes crenças encontra um ponto de identificação em momentos como o da festa que ora acontece em Atenas, cujo espetáculo de abertura, ontem, encantou o mundo, e redesperta para a sábia verdade de que é mais conveniente viver na perenidade da paz. Se, no decorrer de três semanas, homens e mulheres sabem conviver em harmonioso confronto de capacidades nesse campo de provas e respeitam a lei da mais valia dos melhores, não faz sentido, à luz da razão, que consigam promover guerras e destruir-se uns aos outros. A pergunta é por que o mundo não pode ser uma grande vila olímpica, com iguais acomodações e uma única regra, permitindo a todos participarem segundo a vontade e o esforço individual e com a consciência de tudo compõe um só conjunto e uma só comunidade. O mundo inteiro está representado neste momento na velha Grécia e não existe ali nenhum clima de hostilidade e nenhum divisionismo. Também não imperam animosidades e por um instante da história Atenas se converte no centro mundial da paz. A emoção vivida ontem, ante o monumental espetáculo da abertura, foi certamente um momento de união de todas as gentes, a mostrar de forma eloquente que a humanidade é capaz de afastar ódios, de estreitar vínculos por natureza inerentes e iniciar o processo de convivência pacífica entre todos os seres da Terra. Que o espírito de mais esta Olimpíada paire sobre os dirigentes poderosos das nações e lhes ilumine as mentes, fazendo que percebam como as populações de todos os rincões da Terra amam a paz e não desejam conflitos e nem competições que resultem em vantagens para alguns e em prejuízo para outros. Este momento de Atenas é uma amostragem de que a paz no mundo é possível e que cada um pode se converter em vigoroso atleta em busca dessa preciosa medalha.

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