Um espetáculo de palavras
Por enquanto são apenas palavras, porque o crescimento ora anunciado pelo Governo Lula não se estriba em nenhum projeto que faça a nação crer em algum milagre. Agora é só crescimento, crescimento, crescimento, prometem o Presidente e o ministro da Fazenda. Palavras bombásticas, de grande poder se viessem acompanhadas de forte argumento, em forma de algum revolucionário plano de ação. Não há como acreditar nelas porque não existe um programa por trás dessa tripla expressão verbal. Então, tudo soa vazio, da boca pra fora, como foi o anúncio do Fome-Zero e a seguir o do espetáculo de crescimento. Bom que o presidente Lula e sua equipe tenham saído otimistas da sétima reunião ministerial de sexta-feira, mas essa cena não é nova. Nem o chefe e nem seu staff levaram alguma idéia para discutir e aprovar, e nem saíram de lá com alguma. Falta explicar se algo vá depender do Governo como ocorrerá o crescimento apregoado.
Em 3 de janeiro de 2003, na primeira daquelas reuniões e o PT é especialista em reuniões participativas e costuma ficar nisso defendeu-se a austeridade fiscal, com prioridade para a área social. Os principais pontos foram o combate à dengue, a formação de cooperativas, ações contra a prostituição infantil e o ataque à fome. Tudo ficou mais ou menos como dantes, dezoito meses depois. Em 10 de fevereiro do mesmo ano, novo encontro ministerial, com o anúncio de que o Governo não faria ruptura abrupta na economia. De lá para cá, não houve ruptura e nem compostura. A 19 de março, com três meses de mandato, discutiu-se o Plano Plurianual e anunciou-se que seriam dadas condições para a queda dos juros, do dólar e das pressões inflacionárias. Um ano e três meses mais tarde, os juros não baixaram e o dólar subiu. A 19 de maio, novo encontro da trupe governamental, quando Lula cobrou unidade de ação dos Ministérios. Não se conhece até hoje nenhum resultado disso, ao contrário, ministros andaram brigando até publicamente. Chega 28 de agosto, e nova reunião geral, e mais um discurso otimista do Presidente e também não se soube estribado em que. Finalmente fevereiro do corrente ano, e mais uma promessa de medida econômica, porém a economia não fez avanços.
Em todos esses conclaves, nenhum projeto em mãos, destes que fazem reverter processos, direcionando-os para grandes arrancadas de desenvolvimento e que causem impacto nacional. Tal qual acontece agora, sem nenhum programa de reformas de leis, de sistemas, de condutas. O ministro Palocci diz que o País está tranqüilo, e se está se referindo ao território (que é o que a palavra significa), este de fato dorme em berço esplêndido. Mas a nação, que é o povo politicamente organizado, esta não está nem um pouco tranqüila. É distorcido o olhar a partir do mirante do altiplano brasiliense, e por essa vesga visão que por ironia emerge de uma reunião da Granja do Torto é que o Governo faz o superlativo cálculo do crescimento, crescimento, crescimento. Melhor é a nação aqui em baixo continuar trabalhando e arrumando a casa, que por essa via com toda certeza o crescimento acontecerá.





