Um especial para a soja
A soja, o principal produto da agricultura brasileira, é tema do Folha Especial Transmídia deste final de semana (16 e 17). O caderno que visa a produção de reportagens especiais integrando as plataformas digital e impressa mergulhou desde o início do ano nas diversas fases de produção da soja, levantando as dificuldades e o sucesso de quem aposta no grão que põe o Brasil em destaque no agronegócio mundial. A expectativa é que a safra 2018/19, que deverá render cerca de 117 milhões de toneladas, levará o País ao posto de maior produtor mundial de soja, deixando para trás os Estados Unidos. A previsão é do próprio USDA (Departamento da Agricultura dos Estados Unidos). Inicialmente, a diferença será pequena (os americanos devem colher 116,48 milhões de toneladas), mas aumentará nos próximos anos porque a área plantada por aqui ainda tem espaço para aumentar.
O USDA calcula que o mundo produzirá 337 milhões de toneladas de soja na safra 2017/2018 e a FOLHA mostra que se fosse movimentar toda essa produção por via marítima, seriam necessários 8.425 navios de 40 mil toneladas cada. Utilizando o transporte ferroviário, seriam precisos 3,3 milhões de vagões. Já, por rodovias, a safra total mundial ocuparia 9,1 milhões de carretas tipo bitrem. Desse total, apenas 6% da produção é destinada para alimentar pessoas. O restante é usado como proteína na ração de frangos, bois e porcos. A quantidade de soja produzida no mundo é gigante. Porém, não será suficiente no futuro, lembrando que a cada ano o número de habitantes no planeta aumenta em 80 milhões.
A equipe de reportagem visitou fazendas, instituições de pesquisa e constatou o alto investimento em tecnologia no setor. No Paraná, a soja também é um forte motor de desenvolvimento. O grão foi ganhando espaço no Estado a partir de 1975, ano em que uma geada acabou com a cultura cafeeira, e atualmente chegou à posição de segundo produtor nacional, perdendo para Mato Grosso. É impossível imaginar a economia paranaense, hoje, sem a soja. Mas é preciso considerar que esse cenário poderia ser melhor se o setor produtivo não sofresse tanto com a deficitária infraestrutura logística. O País tem tecnologia e produtividade de primeira. Mas na reta final, a soja ganha o peso do transporte, custo que afeta a competitividade da maioria dos produtos agrícolas e industriais do Brasil.





