O Brasil gasta bilhões de reais todos os anos com acidentes automobilísticos. Há poucos estudos nessa área, mas o último realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontou em 2006 uma conta de R$ 22 bilhões, levando em consideração somente os custos com as ocorrências em rodovias. Analisando o aumento da frota de veículos e o do número de acidentes em estradas e nas vias urbanas, o prejuízo certamente cresceu muito. O valor inclui perdas com produção, associada à morte das pessoas ou interrupção de suas atividades, custos de cuidados em saúde (pré-hospitalar, hospitalar e pós-hospitalar, remoção e translado) e os prejuízos materiais, associados aos veículos danificados ou destruídos. Em entrevista à FOLHA, o secretário municipal de Saúde de Londrina, Francisco Eugênio de Souza, considera os acidentes de trânsito um problema de epidemia, um grande drama da saúde pública brasileira.
Entre os acidentes, aqueles que envolvem motocicletas chamam atenção por conta dos números que não param de subir. São problemas que afetam os cofres públicos, obviamente. Mas as perdas de vidas e as tragédias que afetam famílias de todas as classes sociais são as maiores consequências.
Na principal reportagem de hoje, a FOLHA lembra que entre 2000 e 2012 958 mil pessoas perderam a vida no Brasil ou ficaram definitivamente limitadas de alguma capacidade física após sofrerem acidente de motocicleta. Em cinco anos, o número de motos circulando pelo País cresceu 60%, assim como cresceu o índice de sinistros envolvendo o veículo de duas rodas, a maioria com jovens na condução.
Obviamente, os fabricantes de motocicletas precisam investir em segurança e campanhas educacionais. Mas a sociedade deve fazer a sua parte. Os testes para se obter licença de direção têm que ser rigorosos, assim como a fiscalização por parte do poder público. Flagrantes de direção perigosa e desrespeito às normas de trânsito são constantes. A educação é a principal forma de diminuir o número de acidentes com motociclistas.

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