Um discurso para olhos e ouvidos abertos
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quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Folha de Londrina 
O discurso do presidente Jair Bolsonaro na ONU foi autocentrado. Até aí, nenhuma novidade, mas, até por isso, vale a pena observar as análises que a população fez espontaneamente após a sua fala. O discurso foi bem absorvido pela parcela de eleitores que o colocaram na presidência. Nas redes, sociais, uma ala fala em “sinceridade e firmeza.” Já os brasileiros que o criticam pelo que consideram erros, o discurso foi considerado “agressivo e inadequado.” Para outros, ainda, a esperança era que ele falasse em tom mais conciliador, sem atacar este ou aquele país – como Cuba, Venezuela, França e Alemanha – e salvaguardando apenas suas relações com os EUA e Israel.
Resta ainda uma outra análise, entre tantas, de uma parcela que não adota nem as posturas da direita nem da esquerda, que encontra contradições no discurso. Exemplo disso, também citado nas redes, foi que há menos de um mês ele disse que os incêndios e a destruição da Amazônia não são coisas do seu governo, demonstrando, no entanto, implicitamente, que há devastação histórica na região. Chegando à ONU, ele disse que “não há devastação na Amazônia”.
Com as TVs e os sites mostrando seu discurso na ONU durante toda a terça-feira (24), foi ficando cada vez claro como ele articulou suas temáticas: como defensor da Amazônia, evocando a “soberania nacional”, que faz sentido; enaltecendo os “bons indígenas”, como Ysani Kalapalo que o acompanhou a Nova York; criticando os “maus indígenas” como o cacique Raoni, 90 anos, a quem fez questão de destituir de seu “monopólio de liderança” dos povos originários.
A mesma dialética do “bem contra o mal” permeou o discurso quando ele enalteceu o trabalho da polícia militar que teria perdido “400 homens só em 2017”.Mas ficaram fora da conta as vítimas da população civil mortas pela mesma polícia, como a menina Ágatha Vitória Félix Sales, 8 anos, que foi atingida, na última sexta-feira (20), por uma bala perdida, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.
O fato é que, após o discurso, o rame rame da esquerda e da direita continuou na mesma toada do “nós contra eles” que Lula já celebrava e que continua a reger um País, que perdeu nuances para analisar o que quer que precise ser analisado num discurso político. Não se trata de fechar os olhos para criticar tudo ou aceitar tudo. Mas identificar o que é possível fazer além do que está sendo feito para promover o crescimento econômico e social do País.
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