Poderia ter sido um dia como outro qualquer, mas não foi. O 29 dia de abril de 2015 ficou marcado na história do Paraná, quiçá na história de vida de muitos brasileiros. Nesta data, dois anos atrás, servidores públicos protestaram contra as mudanças na previdência e foram covardemente agredidos pelas forças de segurança do governo Richa no Centro Cívico, em Curitiba. Os manifestantes, em um cenário de guerra, foram violentamente atacados com cassetetes, mordidas de cães, tiros com balas de borracha, explosões, bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. A barbárie justificou-se por si só em prol da melhoria das finanças do estado. Professores e estudantes estavam entre os feridos.

Aqui é importante retomar a questão de que a educação é um bem universal e, em se tratando de universidades, para além de formar profissionais, são instituições de educação e formação humana. Procura-se transmitir valores considerados fundamentais para a construção de uma conduta saudável e idônea, na profissão e na vida.

Neste contexto, é notório que na universidade desenvolve-se conhecimento, promove-se investigação científica, formam-se pesquisadores, há uma aproximação com a comunidade, na extensão e prestação de serviços. Professores estudam e se aperfeiçoam durante a vida toda para dar o melhor de si aos estudantes. Todo o amor que cerca a profissão de professor está ferido. Os sentimentos que ferem os corações e, e acima de tudo, a dignidade são o descaso e o desprezo, colocando a universidade em risco.

O massacre continua, de forma silenciosa. Manifesta-se no dia a dia, nos pequenos detalhes que, somados, se transformam em uma catástrofe: a não reposição do quadro de professores e técnicos, a falta de efetivação dos aprovados em concurso, problemas de infraestrutura: corte de recursos que prejudica a modernização de laboratórios e salas de aula, cortes de custeio, a não liberação dos pedidos de aposentadoria daqueles que dedicaram sua vida à universidade e, mais ainda, transgressões à vivência de uma verdadeira autonomia universitária.

Dito de outra maneira, estes ataques têm balançado os alicerces do tripé da universidade: ensino, pesquisa e extensão, de tal maneira que a instituição abalada, está sob ameaça de perder servidores que estão chegando, já desanimados e sem qualquer estímulo e incentivo. Frente a isto, surge a oportunidade da universidade assumir compromisso audacioso e antecipar-se na proposição de mudanças que considerar necessárias.

Por fim, restaria lamentar que, definitivamente, 29 de abril é um dia para não se esquecer. Difícil apagar as marcas das feridas que se reascendem, a cada nova insana intransigência do governo, na mente e no coração dos que viveram e vivem o massacre. Ainda estamos de luto e na luta.

MARIA APARECIDA VIVAN DE CARVALHO é professora na Universidade Estadual de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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