Exatamente no dia 12 de junho de 1961, uma segunda-feira, por volta das 16 horas, iniciei uma carreira na minha vida. Justamente por fazer 40 anos nesta carreira é que me julgo no direito de escrever um pouco sobre esses anos de uma vida dedicada ao jornalismo e em especial ao esporte londrinense, paranaense e até nacional. Desse período, 39 anos e seis meses escrevi na Folha de Londrina. Mas assinei matérias em outros órgãos, como a revista ‘‘Placar’’, por oito anos, e várias outras revistas e jornais.
Se tivesse que escolher hoje, 40 anos depois, uma profissão, escolheria o jornalismo. Não me arrependo de nada.
Em 1964, Londrina sediou o Campeonato Pa-Americano de Judô e aqui estiveram os maiores nomes da modalidade das três Américas. Um show de competição, o primeiro grande evento internacional que cobri. Além do material para a Folha, escrevi, como frila, para a United Press International. Foi uma imensa alegria receber no teletipo da Folha matérias que foram espalhadas para todo o mundo em inglês e espanhol e no alto, a assinatura: ‘‘Londrina - Por Isnard Cordeiro’’. Estava praticamente no início da minha carreira e aquilo foi um incentivo maravilhoso. Afinal, estou falando de um evento internacional em Londrina, já em 1964.
Segunda-feira, 12 de junho de 1961. Uns dois meses antes, estava ‘‘quebrando um galho’’ como radioescuta na Rádio Londrina, numa equipe que tinha José Maria de Brito, e também no início, acredito, Tatinha e Fiori Luiz, entre outros. Logo estava bem por dentro do que rolava no futebol amador de Londrina, sem falar no fato de meu pai, Bento Cordeiro, ser diretor do Londrina. Eu o acompanhava aos jogos.
Na segunda-feira à noite, no Colégio Professor Vicente Rijo, onde hoje é o Champagnat, encontrava-me com Nelson Antônio Severino, com que fiz amizade, e passava pra ele, toda semana, os resultados do campeonato. Até que um dia perguntei se era possível ter uma carteirinha da Folha, na época muito disputada pelos benefícios que oferecia. Depois de uns 20/30 dias, veio a resposta do Nelson: ‘‘A direção não só aprovou uma credencial para você, como também um emprego. Você começa na segunda-feira.’’ Com os olhos cheios d’água agradeci, e no dia e hora combinado estava lá (aliás, pelo menos uma hora antes), pronto para começar toda uma vida dedicada ao esportes. Às 3 da tarde daquele dia conheci o Militão, na época, chefe do esporte. Desde aquele dia, sei que apenas o Estélio permanece até hoje na Folha, sem nunca ter saído, como são os casos do Militão e do Carlos Silva. (Militão retornou e Carlos se aposentou).
Passaram muitos colegas por ali, que deixaram grande saudade e que se transformaram em amigos verdadeiros, e jamais vou esquecê-los. Aprendi muito com o Nelson Severino, o primeiro professor, Militão, Estélio, Walmor, com os irmãos Nilson e João Rímoli, Carlos Silva, lá no início. Mas Nelson Capucho, João Arruda, Flávio Campos e tantos outros tiveram participação importante nesses 40 anos. Hoje me sinto realizado. Até porque tenho uma filha, a Cláudia, que está fazendo jornalismo. A outra, Carla, fez educação física. O filho, Robson, fez odontologia. Filhos criados, netos já quase, e 40 anos bem vividos em experiências e viagens por dois terços do mundo.
Vi, ao vivo, os maiores astros do futebol nacional e internacional em ação; conheço como poucos a história dos Jogos Abertos (aliás, tenho um livro editado sobre os Jogos); participei da criação de algumas ligas e a reativação de outras: fiz cursos técnicos promovidos por confederações nacionais em várias modalidades; assessorei diretores da extinta Ametur por 10 anos; participei da criação de alguns eventos esportivos importantes na cidade e muito mais. Fiz rádio (em quase todas, sempre na área esportiva), TV, jornais e revistas. Posso dizer que conheço praticamente todos os esportes, suas regras e algumas técnicas.
Mas o mais importante de tudo isso, é que, se tivesse que escolher hoje, 40 anos depois, uma profissão, escolheria o jornalismo. Não me arrependo de nada do que fiz, até porque não lembro se algum dia fiz algo errado ou que tenha prejudicado a vida de alguém. Pelo contrário. Hoje, com 59 anos devo muito a Deus e também a amigos que cultivei ao longo desses 40 anos. Não apenas em Londrina, mas no Brasil. A quem agradeço o fato de poder chamá-los de amigos.
- ISNARD CORDEIRO é jornalista em Londrina

mockup