A Páscoa, que hoje se celebra, é o maior evento da fé judaica e, na comunidade cristã de todo o mundo, forma com o Natal a outra das suas sublimes celebrações. É um dia de recolhimento e devoção. Para os judeus, é a Pessach e tem o sentido da liberdade, que os tirou da escravidão do Egito. E para a cristandade é o retorno do espírito de Jesus para as elevadas esferas, de onde viera para deixar seus sábios ensinamentoa à humanidade. É a simbologia mística da morte para a vida, da treva para a luz, das limitações terrenas para as dimensões mais altas.
Como se tem escrito, este Domingo da Páscoa é a oportunidade para um despertar, ante as atribulações desta vida, e um chamado para a fraternidade e para uma convivência de mais paz entre os homens. É um momento para reflexão, para um ressurgir do obscurantismo das paixões humanas e alcançar a graça do entendimento e do amor em sua plenitude, sem a medida de condições. O sentido da Páscoa é o abrir dos portais para a passagem, que simboliza a ressurreição de cada indivíduo por via da elevação de seus sentimentos e da dissipação de pontos ainda obscurecidos no coração dos homens. É um momento para celebrar o dom da vida, outorgado por dádiva divina, e para uma retomada de consciência sobre a responsabilidade de cada um nesta passagem terrena. Muitas vezes se tem escrito que o mundo ganha mais claridade neste dia, porque os antagonismos cessam e a paz se instala, pelo poder da prece dos homens e pelo robustecimento da crença no renascer, que alimenta a alma da humanidade.
Assim como Jesus, também o homem recebeu a graça do sublime destino de também trilhar pelo caminho da ressurreição e ascender às paragens do paraíso, que se pode definir como um estado de comunhão com a suprema luz, ou a volta à sua origem primeira. Se os homens ainda não aprenderam a amar-se plenamente uns aos outros, o Mestre galileu deixou-lhes esse ensinamento, que tem o sentido de que devem considerar-se iguais entre si. Cada Páscoa é sempre uma oportuna ocasião para propósito de elevação espiritual e de mudança. É um tempo de glorificação da vida perene do espírito e do seu triunfo sobre a carne.

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