Um desses dias D
Esta é uma terça-feira esperada ansiosamente pelo mercado financeiro, espécie de ''entidade'' sob a qual se escondem grandes bancos, megaempresas (de capital estrangeiro, na maioria) e especuladores de grosso calibre. É que será divulgada à noite a nova pesquisa Ibope para presidente da República, podendo confirmar os números do Datafolha que atribuíram 44% das intenções de votos a Luiz Inácio Lula da Silva ou situar os números do petista na faixa dos 39%, como o próprio Ibope indicou em levantamento anterior.
Pelo sim pelo não, o tal mercado ofereceu ao País um dia de pavor ontem. O dólar tomou o rumo da estratosfera e subiu quase 5% em um só dia fechando em R$ 3,57. Recorde da história do Real. O risco-país escalou as alturas. As bolsas mergulharam mais de 4%.
Não foi um dia atípico. Nesse período pré-eleitoral, os números do mercado têm oscilado na medida em que Lula ou o governista José Serra ganham espaço na preferência do eleitorado. Sempre que o movimento é favorável a Lula, o ''mercado'' protesta veementemente, como se alertasse os eleitores para o que os espera se as pesquisas virarem verdade.
O que intriga é pensar que empresas e pessoas são estas com poder para manipular macronúmeros como câmbio, bolsas, juros. Mais do que identificar Lula como alvo dos protestos, importa perceber a potência da retaliação diante da escalada de um candidato, seja quem for, pouco palatável ao sabor do dito mercado.
Na edição de ontem, o Financial Times, diário britânico que acompanha de perto a sucessão no Brasil, diz textualmente que ''parte da elite do País está gradualmente se abrindo para a idéia de um governo petista''. E emenda: ''Quanto maior o nível educacional dos eleitores, maior é o apoio a Lula'', escreveu o correspondente Raymond Colitt, destacando que até os executivos da Federação Brasileira de Bancos, ''tradicional rincão anti-PT'', interromperam com aplausos um discurso do candidato. Fica uma dúvida. Viria de onde, então, essa fobia a Lula no Planalto?
Ruth Meira





