Um desafio imenso para todos nós
Um desafio imenso para todos nós
Otávio Cesário Neto
A agricultura e a pecuária vivem momentos tensos. Na verdade, o agronegócio, como um todo, atravessa momentos de turbulência. Produtores rurais questionam-se sobre o porquê disso e é necessário ter em mente uma questão: estamos trabalhando certo? Estamos fazendo o correto? Nossas atividades, sejam elas quais forem, estão sendo conduzidas com modernidade? Estamos sintonizados efetivamente com nossos mercados consumidores ou apenas tão somente continuamos a fazer o que sempre foi feito, sem questionar a necessidade de mudar, melhorar, de virar a própria mesa e com isso progredir?
O Governo Federal - e mesmo o Governo Estadual - está intervindo cada vez menos em nossas atividades, deixando que o próprio mercado se auto regule, que tome em suas mãos a rédea do negócio. Por isso, a classe produtora tem que demonstrar competência para poder entender esse momento de mudanças. Ao Estado caberá apenas a definição das linhas mestres da atividade. E é aí que a Sociedade Rural - a nossa Sociedade Rural - deverá entrar em cena para tomar parte da definição desse perfil, dessa cadeia de produção.
Nós, os produtores rurais, devemos estar atentos, devemos intervir, no momento em que os governantes, nas mais diferentes esferas, tomam decisões que afetam nossa vida, nossa atividade. Por exemplo: a competição com os produtos de outros países não pode se dar apenas na contraposição de preço a preço. Não é só isso. O que está em jogo é o Custo Brasil e tudo o que nele está embutido e pode ser danoso à nossa tarefa. Temos que participar de todas as decisões que possam - de um modo ou de outro - fazer pender, para o lado dos produtos importados, os pratos da balança comercial. De nada adiantam nossas tentativas de reduzir os custos de produção, brigar por maiores volumes de custeio se o custo da tonelada embarcada de Santos é três, quatro vezes maior que essa mesma tonelada embarcada em Hamburgo, Hong Kong, Amsterdam, inutilizando assim todo nosso esforço.
Não podemos mais achar que nossa atividade se resuma simplesmente a plantar ou criar, comprar insumos, pleitear juros baixos, prazos maiores, olhar para o céu pedindo chuva ou sol e fazer de conta que todo o resto não nos afeta. Não podemos mais achar que nos basta ser competentes em nossas atividades, sem nos preocupar com aquilo que está além das divisas de nossas propriedades. Não podemos mais achar que nossa atuação deva se resumir a criticarmos ingenuamente políticas governamentais.
A Sociedade Rural do Paraná tem que ser um fórum constante de debates, um centro de discussão permanente do que acontece conosco e com aquilo que fazemos. Repensar a atividade, repensar a responsabilidade política, econômica e social daquilo que geramos - ou ajudamos a gerar - é nossa preocupação de hoje e do sempre.
E é preciso ficar claro: isso não é engajamento partidário. É participação política, na hora de decidir. Presença e poder de convocação são duas facetas fortíssimas da Sociedade Rural do Paraná. Ela é respeitada e se faz respeitar. Ela precisa ser ouvida, porque ela é o vetor das reivindicações junto ao Poder. E conseguiu isso pela sua tradição de lutas intransigentes na defesa da atividade. Não apenas no que diz respeito à sua atividade principal, mas a tudo o que diz respeito ao organismo maior onde ela se insere: a cidade, a região, o Paraná e o Brasil. Não é megalomania pretender ou pleitear isso. É apenas reconhecer a importância de uma entidade com mais de meio século de vida, tradição, engajamento e participação e que se vê agora diante de sua maior verdade, que é a verdade de olhar para dentro de si mesma. Há um novo Brasil. É preciso haver um novo produtor rural e uma Sociedade Rural moderna. Esta é a nossa proposta.
Vamos trabalhar e atuar sem descaso:
- Na defesa intransigente dos direitos da classe
- No atendimento ao associado, oferecendo-lhe orientação jurídica nas áreas tributária, trabalhista e de defesa do direito de propriedade
- Na orientação técnica durante todo o ano, através da Via Rural e do Campo Permanente de Tecnologia agrícola, em conjunto com a Emater. Nesse caso serão divulgados lançamentos de novas variedades, sementes, insumos e maquinários
- No estabelecimento de convênio com a UEL e o governo indiano para a formação do banco genético das raças indianas, que estará à disposição do associado na SRP
- No oferecimento de cursos e palestras através de parcerias com a Embrapa, Emater, Iapar e outros órgãos
- Na defesa intransigente dos direitos da classe
- Na promoção da união de todas as Sociedades Rurais e Sindicatos patronais, pois somente unidos seremos suficientemente fortes para exigir dos governos o respeito que nos é devido e o cumprimento da Lei nas reintegrações de posse
- Na manutenção e melhoria das instalações do parque para maior conforto dos associados
- Reforma do recinto de leilões Abddelkarin Janene
- Construção de passarela sobre o curral desse recinto
- Urbanização do Campo Permanente de Tecnologia
- Pavimentação do Estacionamento
- OTÁVIO CESÁRIO NETO, advogado e pecuarista, é candidato a presidente da Sociedade Rural pela chapa Celso Garcia Cid





