Um crime que avança
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quinta-feira, 20 de junho de 2019
Folha de Londrina 
O número de denúncias de casos de estupro no Paraná só aumenta nos últimos anos, segundo balanço feito pela reportagem da FOLHA com base em dados do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de Armas e Munições, de Material Genético, de Digitais e de Drogas), do Ministério da Justiça.
A quantidade de casos registrados passou de 4.333 em 2015 para 6.182 em 2018. O dado mais recente, de janeiro deste ano, mostra que o Paraná foi o segundo Estado com o maior número de registros do crime. No primeiro mês de 2019 foram registradas 495 denúncias, atrás apenas de São Paulo, com 1.071 denúncias.
Paradoxalmente, esse avanço do crime pode ter uma faceta “positiva”. Para a coordenadora do Naves (Núcleo de Apoio à Vítima de Estupro), do Ministério Público do Paraná, a procuradora de Justiça Rosângela Gaspari, o crescimento dos registros revela resultados de uma série de medidas que compõem a rede de proteção à mulher vítima de estupro, que se sente mais estimulada a denunciar.
Tão importante quanto a rede de proteção são os cuidados que a mulheres tomam para evitar que se tornem vítimas. Também é essencial que procedam de forma adequada após o cometimento do crime. É essencial, ensina a procuradora, que sejam preservadas as provas, como vestes que contenham sangue ou sêmen do autor, importantes para a perícia. A mulher atacada também deve ir o mais rápido possível ao hospital, para receber medicação para evitar uma gravidez e doenças sexualmente transmissíveis. A preservação de provas pode ser fundamental para uma eventual condenação do criminoso.
Posição semelhante à da coordenadora do Curso de Ciências Sociais da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Silvana Mariano, para quem o preconceito contra as vítimas é outro problema que dificulta o combate aos casos de estupro. “O princípio de que 'não é não' vem sendo tratado como 'mimimi' das feministas e essas questões estão sendo frequentemente desqualificadas”, avalia.
O tema ficou ainda mais sob os holofotes depois do caso Neymar. O jogador da seleção e do Paris Saint-Germain é investigado por suposto abuso contra uma modelo, que teria ocorrido em maio na capital francesa.


