As fraudes contra o SUS (Sistema Único de Saúde), quando reveladas, causam indignação imediata na população. Não significa que outros crimes do colarinho branco não têm poder de revoltar o cidadão. Mas a saúde pública é um setor muito importante para a sociedade. Quem procura o sistema público são as parcelas mais desassistidas da população, pessoas que normalmente esperaram mais tempo pelo atendimento e enfrentam grandes dificuldades para fazer um tratamento. Adultos e crianças em situação de vulnerabilidade, ou pela doença, ou pela situação financeira.

São vários casos Brasil afora e o Paraná coleciona escândalos. Quem não se lembra da Operação Mustela, desencadeada pelo Ministério Público do Paraná no final do ano passado. Investigações apontaram que diversos agentes públicos e médicos cobravam indevidamente de pacientes para furar a fila do SUS. Segundo o MP, os pacientes pagavam de R$ 2 mil a R$ 8 mil para que médicos e agentes públicos os colocassem na lista de emergência. Enquanto isso, quem precisava realmente da operação era passado para trás.

Recentemente, a prefeitura de Londrina demitiu um médico ginecologista que trabalhava na Unidade Básica de Saúde da Vila Casoni por fraude no cartão ponto. Uma apuração conduzida pela Corregedoria-Geral do Município confirmou que o profissional não trabalhava todo o tempo que registrava em sua folha de ponto. Consequentemente, um número menor de mulheres era atendida na unidade, pois um cúmplice (não identificado) registrava que o médico chegava às 9 horas, mas começava a atender no posto às 11 horas.

A operação mais recente contra fraude no SUS foi deflagrada nesta terça-feira (12) pelo Gaeco (Grupo de Apoio Especial de Combate ao Crime Organizado) e pela Promotoria de Saúde de Londrina contra uma clínica psiquiátrica. A investigação apura suposto crime de estelionato e falsidade ideológica envolvendo contratos com o Sistema Único de Saúde.

Segundo as apurações do MP, os responsáveis pelo estabelecimento postergavam a alta dos pacientes para receber mais diárias do SUS. Os promotores suspeitam também de maus tratos.

São casos que precisam ser bem apurados para que os culpados possam ser identificados e punidos. E que a quantia desviada seja devolvida para o sistema. É revoltante perceber que o dinheiro público em falta para atender pacientes que buscam ajuda médica acabe nas mãos de criminosos.

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