O volume de lixo eletroeletrônico cresceu assustadoramente no Brasil. Calcula-se que, no ano passado, o País gerou 1,4 milhão de toneladas de resíduos de informática, telefonia, telecomunicação e eletrodomésticos. O Paraná ocupa a quarta colocação na produção desse tipo de lixo, totalizando em 2015 cerca de 86,8 mil toneladas, ficando atrás de São Paulo (448 mil t), Rio de Janeiro (165,2 mil t) e Minas Gerais (127,4 mil t). Os dados são estimados pela Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), que fez um levantamento com base em números da Organização das Nações Unidas e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As justificativas desse alto volume de resíduo são o crescimento populacional, o aumento da industrialização e o avanço da tecnologia associados ao consumismo. O grande problema disso tudo é que logística reversa não acompanha esse ritmo de crescimento. Trata-se do conjunto de ações criadas para viabilizar a coleta e restituição dos resíduos sólidos aos fabricantes para que estes deem destinação ambientalmente adequada aos produtos. E como não se consegue atender a todos, muitas pessoas acabam jogando o material especial no lixo comum – a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que entre 60% e 90% do material não recebe destinação adequada. A logística reversa é prevista em lei federal, a de número 12.305/10, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Mas são poucos os setores industriais que já se adequaram. Os fabricantes alegam que o grande problema é o custo do processo, que terá que ser repassado no preço final do produto. É mais uma lei que não emplacou, como tantas outras criadas no Brasil. Não há dúvidas de que é uma legislação importante e que faria a diferença na preservação do meio ambiente. Espera-se conscientização da população em consumir com responsabilidade e destinar corretamente o lixo que produz. Mas também espera-se que o poder público e o setor privado conversem para que soluções mais eficientes sejam realmente colocadas em prática.

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