Um convite para a morte
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quinta-feira, 20 de junho de 2019
Espaço Aberto 
Eu já havia desistido de continuar escrevendo artigos sobre trânsito, pois me certifico cada vez mais de que o homem (condutor, passageiros e pedestres) não está predisposto a mudar seu comportamento no trânsito.
Contudo, me resta ainda uma pergunta: Por quê? Se ele é habilitado, se ele conhece as leis de trânsito, enfim, deveria ter consciência dos males que podem ocorrer no trânsito. Às vezes, penso que essa consciência está adormecida.
O atual Código de Trânsito Brasileiro, sancionado em 1997, foi concebido com o intuito de conter a violência no trânsito, que a cada ano mata, mutila e incapacita milhares de pessoas em idade produtiva. Neste contexto, uma da suas inovações foi o sistema de pontuação, que leva a suspensão do direito de dirigir quando o motorista atinge 20 pontos na carteira.
Segundo o senhor presidente, nossos condutores estão sendo punidos arbitrariamente pela chamada “indústria da multa”. Ainda que a complexidade do trânsito brasileiro cada vez mais gere a possibilidade do condutor ser multado, mesmo que ele não tenha a intenção de cometer infrações, do que discordo totalmente. Lembra ele que alcançar 20 pontos é ocorrência que está a cada dia mais comum, logo, quer aumentar de 20 para 40 o limite de pontos na CNH.
Infelizmente, não tenho espaço suficiente para comentarmos o projeto presidencial, que estipula, entre outras medidas, que não mais receberão multas os condutores que não transitarem com os filhos em cadeirinha infantil. Se hoje essa infração é gravíssima, o condutor receberia apenas uma advertência; não haveria mais a obrigatoriedade dos caminhoneiros fazerem exame toxicológico; ainda o controle de velocidade, entre outras.
Em 2010, a ONU definiu uma resolução visando que, entre os anos de 2011 e 2020, seria instituída a Década de Ações para a Segurança de Trânsito. Enfim, as modificações pretendidas deveriam ser precedidas de estudos técnicos hábeis a respaldá-las, antes de serem colocadas em prática.
Como especialista em comportamento de trânsito, junto-me aos demais que também temem que tais mudanças causarão, sem dúvida alguma, mais mortes. Portanto, o referido projeto presidencial, no meu entendimento, se configura um sinistro sinal para o futuro e um convite para a morte.
JULIETA ARSÊNIO é especialista em comportamento de trânsito


