O relato das gestões dos administradores públicos e das instituições, no Brasil, apresentam irregularidades com muita freqüência, e todos os anos os Tribunais de Contas – da União e dos Estados – apresentam extensa listagem de contas recusadas, de dinheiro mal aplicado, de valores que devem ser restituídos e de multas impostas. O relatório do TCU de 2007 enquadra 87 paranaenses, entre esses gestores, políticos, responsáveis por associações classistas e instituições, que receberam repasses federais. As obrigações de ressarcimento aos cofres públicos, somadas às multas, somam R$ 62 milhões.
Na maioria, as irregularidades foram cometidas por prefeituras e estão configuradas no mau uso de dinheiro repassado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, dentro do Programa de Alimentação Escolar. Mas os implicados na questão dos gastos públicos são também a Assembléia Legislativa, o Ministério Público e o Poder Judiciário. Isto demonstra que onde há função pública é comum a presença de irregularidades. Para não falar dos salários e aposentadorias multimilionários. Só no caso estadual, o total que precisa ser devolvido aos cofres públicos soma R$ 72 milhões. Entre os devedores estão também funcionários de duas Secretarias do Estado. O Tribunal de Contas do Paraná – que de sua vez abriga cobiçados cargos na lista de conselheiros – monitora um montante bruto que ronda os R$ 31 bilhões anuais, sendo R$ 18 bilhões da área estadual e R$ 13 bilhões da municipal. É dinheiro do meio circulante, que azeita a máquina pública e que, como se percebe, navega também pelas águas turvas da irregularidade.
Entre os ex-prefeitos, os dois maiores punidos na conta dos repasses do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, segundo o relatório ora apresentado pelo TCU, figuram o ex-prefeito de Londrina, Antonio Belinati, hoje deputado estadual, e Jorge Scaff. Este no período em que assumiu a Prefeitura temporariamente, na qualidade de então presidente da Câmara Municipal, pela cassação do titular e porque o vice não quis assumir. Os valores que eles têm de devolver ao cofre público somam R$ 1.026.172 e R$ 1.533.427, respectivamente.
Todos os anos é a mesma coisa no relato da análise das contas, por esses tribunais, em grande número de instituições públicas. E o que o povo nunca fica sabendo com clareza é se, afinal, as irregularidades são corrigidas mediante a devolução dos valores subtraídos. O que se observa é que questões antigas ainda perduram, quando uma solução sobre elas já deveria ter sido dada.

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