Um comportamento inaceitável
Nas décadas de 1980 e 1990, muitos paranaenses que voltavam de um período de trabalho no Japão faziam tristes relatos de situações de preconceito e humilhação que enfrentavam no país de seus antepassados. O drama dos dekasseguis rendeu de tese de doutorado a grandes reportagens jornalísticas. É, portanto, surpreendente que uma população que tenha se sensibilizado com essas histórias de humilhação vivida pelos seus conterrâneos agora reproduza um comportamento xenófobo.
Esta semana, o Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR) começou a investigar denúncias de agressões físicas e xenofobia contra 13 imigrantes haitianos dentro do ambiente de trabalho na cidade de Curitiba. Os relatos das vítimas são de xingamentos, humilhações, preconceitos e espancamentos por parte de funcionários brasileiros.
A xenofobia pode ser compreendida como a aversão às pessoas e coisas estrangeiras. É, enfim, uma forma de preconceito a pessoas de outras raças, culturas e crenças. As primeiras denúncias chegaram ao MPT em 25 de junho deste ano e diziam respeito a trabalhadores da construção civil. Depois, novas reclamações chegaram aos promotores, incluindo entre as vítimas haitianos empregados em restaurantes, bares e hotéis.
Segundo os relatos das vítimas, as agressões têm acontecido única e exclusivamente por uma questão de raça e etnia. Ou seja, eles estão sofrendo preconceito por serem estrangeiros e negros. Um dos refugiados contou que diariamente era chamado de crioulo e macaco e era tratado como escravo, sendo obrigado a carregar mais peso que os trabalhadores brasileiros. O rapaz chegou até mesmo a ser espancado pelos colegas.
Milhares de haitianos estão vindo para o Brasil, fugindo da miséria causada pelo terremoto de 2010 que arrasou o seu país, deixando 220 mil mortos e 2,3 milhões de desabrigados. No inicio deste ano, ou seja, quatro anos depois da tragédia, a Anistia Internacional calculava que 171.974 pessoas ainda viviam em campos de desabrigados no Haiti.
O Brasil está colaborando de várias maneiras na reconstrução daquele país, um trabalho que está sendo coordenado pela Organização das Nações Unidas (ONU). O comportamento desses brasileiros investigados pelo Ministério Público é inaceitável. Racismo é crime e os agressores devem responder à Justiça.





