Um caminho de solução é o bom salário
Não só de bom salário vive o homem, mas um trabalhador bem pago aumenta sua auto-estima e, obviamente, o seu poder de compra de bens e serviços, a família passa a viver no mesmo padrão e caem os índices da delinquência. Neste Dia do Trabalhador, entra em vigor no Paraná um salário mínimo revigorado, girando entre R$ 462 e R$ 475. Um reajuste regional determinado pelo governador Roberto Requião, e que, como é natural, alegra os que recebem e contraria os que pagam.
O aumento, na verdade, é inexpressivo - apenas 8,5% - e assim mesmo os empregadores reclamam. Se razões têm eles quanto aos elevados encargos sobre o salário, o ganho do trabalhador no Brasil é ainda baixo e situa-se no patamar dos países pobres. E por pobreza entenda-se o ínfimo volume do ganho, a sanha arrecadadora do Governo, que subtrai grande parte do salário; o imposto de renda descontado na fonte e que representa uma substancial parcela (a não ser para os isentos); a arcaica legislação trabalhista, inibidora do emprego, e um sistema sindical pouco politizado, porque não valoriza o empregador, que é o que se arroja em implantar empresas e que cria e mantém vagas de trabalho.
É preciso mudar essa mentalidade doentia e essa política arrecadadora sobre os baixos ganhos do trabalhador e inclusive sobre os aposentados de mínimo padrão de ganho. Verdade é que, no caso do pequeno aumento no Paraná, os empregadores não têm razões para protesto, porque o porcentual é baixo. Espera-se que, por isso, não demitam, porque quem o fizer perderá a moral de reclamar contra a violência dos que atentam contra o patrimônio alheio, porque o desemprego é parente próximo do desespero e este é péssimo conselheiro.
Quando tanto se fala em combater a delinquência, despedir trabalhadores por causa de aumento tão inexpressivo é cooperar para a intensificação dos males sociais. Mesmo com o garrote dos elevados encargos sociais e de uma leonina legislação - que em face de abusivas sentenças trabalhistas pode levar uma empresa à falência, gerando mais desemprego - não demitir é contribuir para a paz social e manter o poder de consumo do empregado e a sua integridade como cidadão, pela garantia da remuneração. Neste Dia do Trabalhador é preciso menos reclamar e mais voltar-se para a reflexão e para a consciência da responsabilidade diante das dificuldades que afetam a todos e que não permitem lançar gente no desemprego.





