Com duas abstenções e um voto contra, os vereadores de Londrina presentes à sessão de terça-feira decidiram que a Câmara necessita de um painel eletrônico para a contagem do número de colegas e para a soma dos votos no exame dos projetos. Só o vereador Renato Araújo votou contra, ao que parece o único sensato na Casa quanto a esse absurdo desejo. Esse equipamento e mais um novo PABX que os ''nobres pares'' consideram necessário, custariam ao bolso do povo R$ 200 mil detalhe com o que os votantes não se preocuparam, pois já aprovaram, em primeira discussão, essa aquisição.
Aquela verba figura no orçamento da Câmara e os vereadores resolveram gastá-la, por falta de melhor uso, quando melhor fariam se a devolvessem, pois o regimento não o impede. E se sobra dinheiro, será necessário rever essa destinação orçamentária para os gastos do Legislativo, e diminuí-la, porque ao que se sabe o Poder Público municipal não está nadando em dinheiro. A notícia deixou perplexa a população, que obviamente não vê utilidade alguma nesse painel, um luxo em tempo de tanta carência social.
Surpreende é que a votação ocorreu em regime de urgência, como se esse painel fosse uma necessidade extrema, qual calamidade pública que exigisse decisão imediata. Os políticos surpreendem, e não por atos heróicos mas por desvios comportamentais como este, não compreendido à luz da sensatez. O vereador Orlando Bonilha, presidente da Casa, justifica que Maringá tem painel e então Londrina também pode ter. Inacreditável se tal não houvesse sido dito e publicado.
Um cidadão, na seção de cartas deste jornal, sugere que Londrina também adote outras coisas da vizinha cidade, como a paz dos seus cidadãos, pela ausência de assassinatos como os que ocorrem em Londrina, todos os dias e anos a fio. Nas ruas, as pessoas ironizam e sugerem que os vereadores comprem um ábaco, o milenar instrumento japonês de fazer somas e cálculos, algo muito eficiente e que se pode comprar nas lojas do R$ 1,99. Pior, gracejam que tais vereadores devem ter perdido a noção de contar com os dedos das mãos quando mais de dez deles comparecem às sessões.
Por que haveria necessidade de um painel eletrônico semelhante ao da Câmara Federal numa casa legislativa de 21 membros?! E a preço tão absurdo?! Vê-se que não é o povo criticando em vão, mas são os próprios políticos que criam situações ridículas, pelo que fazem e pelo que dizem. Dos dois equipamentos, discute-se a necessidade, ou não, de um novo PABX talvez não tão urgente assim mas o painel mais parece um brinquedo para os vereadores, talvez pelo encantamento de acionar o botão e verem a luzinha acender-se lá adiante. Carências. Mas sobretudo carência de bom-senso e de respeito aos cidadãos. Mais que isso, uma afronta!

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