Um Brasil rompido
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quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Espaço Aberto 
O Brasil na verdade não é um país! São vários dentro do mesmo! Ao que se convencionou chamar de Brasil! Hoje, passados praticamente duzentos anos de sua independência, a desigualdade escandalosa entre os seus filhos, que vai do salário mínimo de 998 reais (e 50% dos trabalhadores ganha menos do que isso), até aos salários de trinta, quarenta e cinquenta mil, é gritante! 1% da população de trabalhadores brasileiros com maior poder aquisitivo ganha 36,3 vezes mais do que os 50% que ganham os menores salários. Portanto, no mesmo supermercado num final de semana, o trabalhador que ganha 1000 reais faz compras ao lado do que usufrui trinta mil! Tudo na mais pura normalidade, tranquilidade e paz!
Embora o Brasil em termos percentuais (12%) não seja nem de longe o Estado que mais emprega, as coisas por aqui se complicam com os benefícios e auxílios que assistem algumas classes. Os salários oriundos do funcionalismo público se descolaram da iniciativa privada e perderam qualquer referência ao Brasil real. Nenhum empresário, ainda que o quisesse, com a carga tributária existente, conseguiria pagar salários aos seus empregados que se aproximassem dos públicos! Vive-se num sistema de castas, aceito tacitamente. A maioria absoluta, vive por aqui matando um leão por dia! Sem acesso à internet ou sem tempo para fazê-lo! Sem leitura! (analfabetismo funcional) e sem qualquer informação, essa maioria sobrevive nos escombros de um país que teima em não avançar em reformas estruturais que a dignifiquem de verdade. Todas as reformas apregoadas pela classe dominante apontam para o mesmo: se sacrifícios são necessários, eles têm endereço! Quem detém privilégios não abre mão deles. Eis a gênese da decadência moral! 1% de brasileiros determina o que os outros comem ou não, e como vivem. Os políticos legislam em causa própria e em todos os assuntos, sem exceção, são cooperativistas e aliados entre si. Educação para mudar o quadro não é uma prioridade! Um país condenado ao caos, se nada for feito!
Mas hoje esse cozinhado mortífero tem mais um tempero fatal! O Brasil real está tremendamente dividido e polarizado! Acusações de parte a parte e trevas cobrindo as mentes, impedem qualquer avanço. O país desce os degraus da civilização vertiginosamente. A democracia corre sérios riscos e a corrupção continua solta. Com uma agravante! Ao levar o juiz Sérgio Moro para o governo, o presidente retirou de Curitiba aquele que o poderia incomodar; como incomodou outros! Agora, amarrado como seu subalterno e o Congresso querendo desmoralizar a Lava Jato, pondo em causa a lisura de todo o processo, existem condições favoráveis para irrompes antidemocráticos. Um prato perfeito para a derrocada e o atraso!
Não existem avanços reais que não contemplem a diminuição da desigualdade social. Essa desigualdade, deve ser permanentemente medida como critério de avaliação, sobre os caminhos políticos e econômicos que adotamos. A injustiça social que brada aos céus, é geradora constante de violência e devolve à sociedade uma toxicidade mortal. Combatê-la não é coisa de direita ou esquerda! Ermínio Fraga nos lembrava estes dias, que investimentos sociais podem reforçar a democracia que vem sendo atingida na forma e no conteúdo! Países injustos com os seus cidadãos provocam conflitos e um clima de insatisfação permanente. Países historicamente consolidados na sua democracia e bem-estar social, dificilmente têm uma discrepância salarial que ultrapasse em cinco vezes o salário médio da população. Isso vale principalmente para o funcionalismo público. Não é um bom sinal que os filhos deste país, tenham como único sonho, passar num concurso público!
MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS, padre em Londrina


