Em um período de crise econômica e de promoção de ajustes fiscais que impactarão fortemente no bolso dos brasileiros, o comando da Câmara Federal aprovou um pacote de reajuste para benefícios dos deputados. O valor da conta é um impacto de R$ 150,3 milhões por ano nos cofres da Casa. Como já discutido neste espaço recentemente, a atitude reforça o distanciamento dos poderes constituídos com a sociedade. Uma "ilha" onde poucos têm muitos benefícios em detrimento da maioria.
No pacote aprovado foram atualizadas verbas para contratação de servidores, para gastos com a atividade parlamentar (telefone, passagem, consultoria, transporte, entre outras) e auxílio-moradia pago aos deputados que não utilizam apartamentos funcionais. Além disso, cônjuges dos deputados estão autorizados a usar passagens em viagens do Estado de origem a Brasília. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), negou que as medidas representem aumento no orçamento e garantiu que não haverá mais despesas, uma vez que serão cortadas verbas de custeio e investimento para cobrir a atualização dos valores.
Ainda que não haverá aumento dos gastos, como alega Cunha, não seria o momento de economizar o dinheiro e devolver aos cofres públicos? Apenas a população precisa dar sua parcela de contribuição para ajudar o País a sair da crise? Já é passada a hora de Legislativo, Executivo e Judiciário defenderem mais os interesses da população e abrir mão de "benefícios" criados por eles mesmos. Ainda que seja legal, é totalmente imoral.
A população precisa ficar mais atenta e manifestar-se contrariamente a decisões como essa. Reforçando afirmação anterior neste mesmo espaço: é preciso uma reforma urgente na legislação que permite que essas categorias se autoconcedam aumentos salariais. É um desrespeito com os brasileiros.

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