Um basta aos trotes violentos
As pessoas de bem não suportam mais a humilhação, o constrangimento e os atos de barbárie em trotes aos jovens aprovados em vestibulares. Atitudes de "grupelhos" que usam de intimidação, ameaças, xingamentos e até de violência precisam ser combatidas com a mesma veemência com que são impostas. Meninos e meninas, quase sempre pressionados e na ingenuidade, se submetem a situações vexatórias e perigosas por medo e coerção. Não é possível mais aceitar que veteranos persistam com condutas ultrajantes e de risco em relação aos calouros.
No mês de fevereiro, grande parte das universidades e faculdades inicia o ano letivo de 2015. Em todo o Brasil devem se repetir as recepções aos calouros. Lamentavelmente, cenas de violência e práticas humilhantes vão acontecer, como se sucedem todos os anos. Como em Londrina também ocorrem fatos semelhantes, decidimos fazer a nossa parte: estamos criando o Núcleo de Apoio às Vítimas de Trotes Violentos. O objetivo é dar todo suporte jurídico e psicológico a estudantes que se sintam atingidos física e/ou moralmente nos trotes universitários.
Alunos de qualquer instituição de ensino superior de Londrina e toda a região passam a ter à disposição advogados, psicólogos e outros profissionais para denunciar agressores, fazer prevalecer seus direitos como cidadãos e, quando necessário, receber acompanhamento para superação de possíveis traumas. Lançamos o Núcleo de Apoio às Vítimas de Trotes Violentos com a expertise e capacitação de docentes da UniFil, que conduzirão atendimentos e procedimentos cabíveis em cada um dos casos denunciados.
Os trotes violentos já resultaram em mortes, como aconteceu na Universidade de São Paulo (USP), a principal do Brasil. Inúmeras barbaridades praticadas por veteranos foram relatadas pela imprensa em todo o País, com cenas absurdas dos mais variados tipos de humilhações, ofensas, agressões, consumo forçado e exagerado de bebidas alcoólicas, retaliações e outras ações que se caracterizam como crimes. São atitudes que podem ser enquadradas como lesão corporal - com agravantes de natureza grave e seguida de morte, injúria, ameaça, constrangimento ilegal, estupro e muitos outros delitos.
É preciso dar um basta nesse comportamento considerado até doentio de veteranos que se acham no direito de maltratar os calouros. Não são todos, obviamente, mas as consequências das ações daqueles que insistem em trotes violentos refletem negativamente. A iniciativa de criar o Núcleo de Apoio às Vítimas de Trotes Violentos é motivada também por fatos ocorridos na festa de divulgação dos aprovados no vestibular da UEL, realizada no último dia 15 no aterro do Lago Igapó. Imagens de tristes e inaceitáveis acontecimentos serão encaminhadas ao Ministério Público para providências e responsabilização dos envolvidos.
Londrina não pode compactuar com a insanidade e a crueldade aos seus jovens. Não pode se omitir e permitir que "grupelhos de veteranos" prossigam com suas barbaridades. As pessoas de bem precisam se manifestar e agir para acabar de vez com isso. Já existem muitos bons exemplos de trotes culturais, sociais, comunitários e humanitários, com ações positivas para a comunidade londrinense. Esses devem prevalecer e ganhar cada vez mais espaço entre os estudantes de nossa cidade.
A aprovação no vestibular é um dos momentos de maior felicidade para jovens e seus familiares. Representa uma conquista, o início de uma nova fase na vida, a abertura para um universo acadêmico de muitas descobertas e preparação para o ciclo profissional que se aproxima. Ou seja, significa para muitos o começo da concretização de sonhos e projetos, um instante de enorme satisfação e realização. Por isso, merece ser comemorado com muita alegria. Mas também dentro de limites que não firam a dignidade e a integridade ou exponham as pessoas ao ridículo.
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