Um bairro em defesa de uma árvore
O tema pode parecer irrelevante, por tratar simplesmente de uma velha seringueira ameaçada de morrer num dos mais antigos bairros de Londrina, a Vila Portuguesa. Mas a movimentação dos moradores do lugar para salvar a árvore é que impressiona, demonstrando que, em meio aos devastadores, impera também uma postura de resistência em favor da natureza. A repórter Marta Ortega, deste Jornal, assistiu à reação de gente do bairro depois que um irresponsável, algum tempo atrás, ateou fogo na vegetação circundante e molestou também a seringueira, que a partir de então veio dando sinais de enfraquecimento.
Uma idosa senhora - Terezinha Horácio Bonezi - dedica-se há 35 anos à preservação da velha companheira, porque viu ela ser plantada e crescer, e dela cuidou, irrigando-a no período de crescimento. E viu, sob sua sombra, filhos e netos brincarem e desfrutarem de agradáveis momentos. Ela conta que certa ocasião colocou-se à frente e impediu que funcionários da Prefeitura derrubassem a árvore, porque estavam começando a cortar seus galhos. O sábio ensinamento dos defensores da natureza é que não é preciso que ninguém cultive uma floresta, mas se puder que plante uma árvore, e se isto não for possível que levante a voz contra os depredadores. Felizmente já existe uma nova consciência preservacionista, embora a grande reserva floresta brasileira, a Amazônia, venha sendo posta abaixo pela mão inclemente dos exploradores de madeira e dos quer derrubam e queimam a mata para plantar soja e criar pastagens para o gado. Na reportagem está registrada a queixa dos moradores pelo descaso dos órgãos públicos pertinentes, que não atenderam ao pedido para tentar a recuperação dessa planta, e só agora, em reposta à repórter, foi que a Secretaria Municipal do Ambiente decidiu avaliar as condições da seringueira.
Aparentemente, apenas uma simples árvore - ora majestosa - em meio a centenas de bilhões delas em todo o vasto território nacional, mas antes de tudo uma lição e um alento, a demonstrar que se há pessoas que lutam pela salvação de uma só unidade, elas são capazes de lutar também pela preservação de todas as florestas.
O episódio da Vila Portuguesa e de sua co-irma enferma, com tanta gente ao seu redor desejando curá-la, é mais que tudo um exemplo. Que deve servir de lição para os que devastam as matas e por extensão prejudicam ou levam à morte os animais que têm ali seu habitat, e dos que, na área urbana, não hesitam em derrubar uma árvore apenas para destacar a fachada de seus estabelecimentos comerciais.





