O governo está consciente de que o problema aflorado em Londrina, no segundo turno das eleições, decorre não do oportunismo político, mas de um sedimento psicossocial e cultural da maior grandeza na referência ao divisionismo e, mais do que isso, ao sentimento de que Curitiba mantém um olhar de centro para a periferia relativamente ao interior, de um modo geral, e àquela cidade em especial.
Na verdade, a integração físico-territorial é insuficiente para resolver, de forma abrangente, o problema, ainda que se deva considerar que regiões novas como o Paraná teriam, teoricamente, mais condições de abrir-se à aculturação do que outras.
Esse problema existe no Oeste-Sudoeste e não se limita à questão da ‘identidade’ forte do gauchismo, que afinal alcança, também, a região tradicional do Paraná no Sul e Sudeste, onde as tradições campeiras deram fundamento aos CTGs lá existentes. O curioso é que há regiões do Rio Grande do Sul que foram colonizadas por paulistas da 5ª Comarca, isto é, nada mais nada menos do que curitibanos.
Mas o importante é que o trauma do risco de perder a batalha ajudou a aprofundar a consciência de que é preciso fazer muito mais pela integração e, sobretudo, pelo desenvolvimento harmônico. Temos um problema sério: a falta de uma identidade regional, mesmo que não se trate de questão exclusivamente nossa.
Mas em Santa Catarina as diferenças de serranos e litorâneos não lhes retira a face própria. A imagem diante do espelho não é zerada como a nossa ante o mosaico de etnias, um mix muito mais rico do que os do Rio Grande e Santa Catarina com colônias densas de gaúchos e italianos, e o de brasileiro de todos os quadrantes.
Claro que não resolveremos isso tentando, por exemplo, fazer com que o povo de Cascavel deixe de torcer pelo Grenal para dar prioridade ao seu time ou a qualquer um outro do Paraná. Assim se dá também em Londrina: o Tubarão, em que pese sua glória de campeão brasileiro da Taça de Prata, não é sucedâneo para quem se liga nos times de São Paulo e até nos de Minas. São, no entanto, sinais significativos de uma questão séria que o governo promete olhar com seriedade.
BIZARRICE - Em Porto Alegre, segundo Íris Caldart, ex-deputado paranaense, alunos da Faculdade de Direito, irritados com a dureza e disciplina de um dos mestres, deixaram em sua mesa da sala de aula apreciável quantidade de alfafa. O homem entrou na sala, olhou o ‘presente’ e tascou: ‘‘Podem servir-se que já almocei.’’
SPRAY - Toni Garcia se assanhou com a hipótese de Requião ser cassado e dele pleitear a vaga, com trabalho do advogado Saulo Ramos. Pesadelo de uns, sonho de outros, o ato do TRE deu margem, ontem, a um agito na Boca. Mas sem governo não dá pra fazer muito barulho como na primeira cassação. - De qualquer forma, ficou nítido que o impacto da cassação imobilizou dentro do PMDB os que eram abertamente anti-requianistas. Ficou difícil para eles, agora sob pressão, não se mexerem contra a decisão judicial. - ‘‘Sala Exclusiva’’, hoje na TV Exclusiva, às 22h30, uma entrevista com Emília Belinati, a vice-governadora, falando de sua vida em comum com o prefeito eleito de Londrina. - Geraldo Cartário, ao perder a eleição em Fazenda Rio Grande, denunciou que o governo elegera alguém que trabalhava no Palácio e que o grupo todo, inclusive Júlio Lerner, irmão do governador, andou na cidade em operação imobiliária para distrito industrial. Agora, na assinatura dos atos com a Electrolux, lá estava no fim da sala o Geraldo Cartário. - Codapar é extinta, recuperada ou privatizada? É o que se pergunta, pois ficar como está é impossível. Não só ela: a Celepar também, que apenas ‘terceiriza’ serviços, com uma burocracia que sofre de elefantíase. - Tarefa de explorar muros de escola por empresas da área de educação deveria sair da órbita de entidades burocratizadas como a Fundepar e ficar a cargo da própria Associação de Pais e Mestres, que cuidaria também da aplicação dos recursos. - Mais um impacto que a PM não absorve naturalmente: a demissão do comandante do Policiamento da Capital, via manobra parlamentar, põe governo de Lerner numa linha de risco, tal qual aconteceu com os governos de Álvaro Dias (demissão conjunta, por erro tático, do comandante e do chefe do Estado Maior) e no de Requião (crise de Campo Bonito com a morte de três PMs e o líder sem-terra Teixeirinha por força do fair play prolongado com essas tensões). - ‘‘Na instância superior, Requião pode até obter uma liminar. Mas no mérito, será certamente condenado.’’ Nilso Sguarezzi, na CNT.
FOLCLORE - Um jornalista que criticava sistematicamente Jaime Lerner, um dia, surpreendentemente, fez-lhe um elogio. O assunto, inusitado, era comentado no seu gabinete e um dos assessores foi lhe dar a notícia: Lerner, com a maior tranquilidade, disse que esperava obter o ‘‘direito de resposta’’.
AXIOMA - No momento em que o Brasil mais se abre ao estrangeiro, burocratas diplomáticos dos Estados Unidos negam visto a gente humilde e a autoridades brasileiras com a maior naturalidade. Quanto maior o grau de subserviência, mais intensa a humilhação. Quem se abaixa roça a bunda.
AFORÍSTICO - Pelo menos ao propor-se à reeleição, o presidente FHC se diferencia dos deuses, no caso do politeísmo, ou do Criador, no do monoteísmo, pois tanto aqueles como Este são permanentes. Com tudo isso continua com um jeito do Rei Sol, pré-Revolução Francesa.

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