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Desde que assumiu a presidência da República, há sete meses, Jair Bolsonaro costuma usar sua conta no twitter ou participação em eventos para criticar e ironizar o trabalho da imprensa brasileira. Frequentemente, a tensão de Bolsonaro contra a imprensa é gerada por notícias que desagradam o presidente ou que questionam atitudes dele, de seus familiares ou de membros do seu governo. Ao acusar indiscriminadamente a imprensa de promover fake news, o mandatário tenta intimidar jornalistas e veículos de comunicação.

Com a assinatura de uma MP (Medida Provisória), na noite de segunda-feira (5), o presidente elege os jornais impressos como alvo de uma grande retaliação. A MP permite que empresas divulguem seus balanços sem custo no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e no próprio DOU (Diário Oficial da União). A mudança tira a obrigatoriedade de os resumos financeiros serem apresentados nos jornais.

A decisão pegou de surpresa as entidades relacionadas aos jornais e aos jornalistas do País, que reagiram a uma medida que não nasceu de uma mudança baseada em um estudo técnico, mas motivada apenas pelo revanchismo. Mais do que isso: Bolsonaro tenta debilitar economicamente a imprensa livre ao mesmo tempo em que procura produzir nos jornais a imagem de inimigos das empresas e da sociedade. Infelizmente, o presidente também tira do cidadão o direito de acompanhar os resultados de empresas e até de fiscalizar aquelas que são de economia mista.

O princípio da transparência é duramente atingido, ou alguém tem dúvidas da dificuldade que o cidadão terá para acessar essas informações no diário oficial? Além disso, desaparecerá a possibilidade do registro histórico permanente das empresas, pois os dados podem se perder futuramente na internet.

Com a MP, Bolsonaro mostra um descompromisso com a história e com a liberdade de pensamento, como vem fazendo ao classificar as universidades e a Igreja Católica como opositoras. Um presidente não pode usar a sua posição de poder para intimidar os jornais.

Espera-se, agora, que o Congresso Nacional tenha a responsabilidade de derrubar uma MP que foi criada com o único intuito de fragilizar financeiramente os jornais e promover uma retaliação à cobertura do Executivo nacional. Ao mirar contra a imprensa livre e o jornalismo profissional, o governo coloca em xeque nossos princípios democráticos.

A Folha de Londrina agradece aos seus leitores por valorizarem o jornalismo livre e independente e assim ajudar a manter um dos pilares da democracia!

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