Se os brasileiros, pela representatividade majoritária, elegeram Lula presidente é porque depositaram nele a sua confiança e a sua esperança e, como tal, também assumiram uma responsabilidade perante a pátria. Lula está há um dia no poder e é no amanhecer deste dia 2 que ele começa realmente a governar. Sejamos então partícipes nessa cruzada porque é tarefa não apenas do governante mas de cada um de nós.
  Não esperemos de braços cruzados. Nossa contribuição individual pode manifestar-se em grandes e em pequenas ações porque também exercemos governo ao tocar nossos negócios e ao exercer nossas tarefas diárias, e tudo o que fizermos bem feito o faremos pelo Brasil. O patriotismo de que se fala não é apenas saudar a bandeira, vestir a camisa da Seleção, bater no peito proclamando-se brasileiro, mas trabalhar com retidão e dignidade.
  Aos especuladores da moeda, conclama-se a que detenham sua fúria, e aos que fazem vítimas voluntárias deles recomenda-se que mudem suas posturas e os evitem o quanto possível, pois esta é uma forma de enfraquecê-los e aniquilá-los. Aos que comerciam, apela-se para a moderação no tabelar seus preços e nas taxas do crediário, porque é aí onde a inflação começa e não dentro do Palácio. Aos que consomem, que não deixem de consumir, mas não extrapolem o limite do ganho e fujam das compras a prazo.
  Aos sonegadores de impostos, a conclamação é para que confiem na nova ordem governamental que agora se inicia porque o que é sonegado faltará para a execução de obras públicas e o ônus recairá sobre os demais. Aqueles que servem nas repartições públicas, que dilatem seus horários de atendimento e sejam mais atenciosos e prestativos para com os contribuintes porque eles (servidores) são os mini-Lulas por trás de cada mesa e de cada balcão.
  Os que empregam, que façam um esforço extremo para preservar empregos e persigam metas de criar outros mais sem abandonar a luta por diminuição de impostos e encargos. E os que trabalham como empregados, que sirvam à empresa como se ela fosse sua porque é dali que sai o ganho e o sustento – e onde não houver reverência e gratidão não há prosperidade.
  Os que ganham do fruto da terra, que não a devastem, porque não é a pessoa do Presidente que irá cuidar de cada árvore, de cada manancial de água, de cada pedaço de chão e do ar que respiramos, mas cada um de nós em cada lugar e em cada momento. Se cada um deixar de explorar os seus iguais e der uma oportunidade aos que carecem de um trabalho ou de uma ajuda, que o façam, porque isto é também uma forma de contribuir para o bem da pátria – que afinal somos nós mesmos.
  Vamos sair da defesa e partir para o ataque, no sentido de lamuriar menos e agir mais. Isto significa fazermos melhor a nossa parte – melhor do que temos feito – e cobrar mais do poder público, reagindo e dizendo aos especuladores e aos que desmandam, gritar contra os sistemas emperrados e não dar trégua aos abusados. Reagir com valentia contra os que nos exploram. Se um grita, despertará a outro e aí serão quatro, que serão uma centena e assim sucessivamente. Fazer do nosso dia-a-dia um estado de vigilância, como se cada um de nós fosse o próprio Presidente.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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