Um ano sem João Amazonas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de maio de 2003
Sinival Osório Pitaguari 
Completou-se no dia 27 de maio, o primeiro ano em que os comunistas, democratas, progressistas e patriotas brasileiros vivem sem João Amazonas. Ideólogo e construtor do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), onde dedicou 67 anos de sua vida, deixou como legado a luta pela democracia, pela soberania nacional e a defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo e do socialismo.
Sua vida se confunde com a história do Brasil. Filiou-se ao partido em 1935, quando participou da Aliança Nacional Libertadora (ANL) em Belém do Pará. Organizou o Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT) e foi preso político durante a ditadura de Vargas. Eleito deputado Constituinte em 45, com uma das maiores votações do Distrito Federal (na época o Rio de Janeiro), teve seu mandato cassado em 47, por um golpe do governo do marechal Dutra, quando colocou o registro do partido na ilegalidade. Como deputado defendeu o direito de greve, liberdade e unicidade sindical, Justiça do Trabalho, e melhores condições de vida e de trabalho do povo.
João Amazonas destacou-se depois de 64 como um opositor radical da ditadura militar e, por isso mesmo, foi odiado por ela. Organizando a resistência armada nas selvas do Araguaia, na campanha da Anistia, nos palanques das ''Diretas-já'', ou nas articulações que levaram à escolha de um candidato único das oposições para derrotar o candidato da ditadura no Colégio Eleitoral, lá estava o velho combatente comunista.
Defensor incansável da unidade do povo e das correntes democráticas e populares foi um dos artífices da Frente Brasil Popular em 1989 e da primeira candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República. Na década de 90, foi o principal teórico da unidade do povo brasileiro contra neoliberalismo, sistema econômico implantado pelos presidentes Collor de Melo e Fernando Henrique Cardoso.
João Amazonas foi, fundamentalmente, um construtor do Partido Comunista do Brasil. Em 1943, fez parte do grupo de comunistas que realizou na mais pesada clandestinidade, a ''Conferência da Mantiqueira'', onde o Partido Comunista foi praticamente refundado. Em fevereiro de 1962, combatendo o revisionismo do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, de 1956, que repercutiu gravemente na direção partidária brasileira, participou da liderança do grupo que garantiu a continuidade do PCdoB.
No plano teórico, Amazonas dirigiu a reafirmação pelos comunistas brasileiros, do socialismo, do marxismo-leninismo, da luta de classes e da revolução, num momento em que proliferavam as idéias ''modernas'' de superação do legado marxista e leninista, do sonho de justiça social e da derrota do capitalismo.
A vitória da Frente Lula Presidente, em outubro do ano passado, abriu perspectivas grandiosas para o povo brasileiro na construção de um novo rumo alternativo ao modelo neoliberal para Brasil e infelizmente, João Amazonas não pôde viver estes últimos acontecimentos que ele tanto sonhou, mas que trazem, indeléveis, a marca de sua atuação persistente, contínua e intransigente em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo, da democracia e da soberania nacional.
SINIVAL OSÓRIO PITAGUARI é presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em Londrina e docente do departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina


