Um acordo tão vago quanto esperado
Algo que seria inimaginável no começo de 2018, o encontro histórico entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, em Singapura, causou impacto em todo o mundo. Realizada na segunda-feira à noite (hora do Brasil), os dois líderes discutiram o que mais se queria ouvir: a desnuclearização da Coreia do Norte.
É um encontro histórico porque Trump e Kim trocavam ofensas e ameaças até há alguns meses. Os dois países eram inimigos desde 1950, quando começou a Guerra da Coreia e, consequentemente, há 70 anos, seus líderes não se encontravam.
Um fato tão esperado foi recebido com euforia por alguns e ceticismo por outros. Poucas horas depois do aperto de mãos entre Kim e Trump, alguns comentaristas internacionais já colocavam os dois líderes e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, como candidatos naturais ao Nobel da Paz deste ano. Mas outros analistas preferem esperar que o norte-coreano cumpra a promessa de acabar com o seu arsenal nuclear antes de considerar a cúpula um sucesso.
A aproximação entre Kim e Trump colocou um fim no discurso agressivo detonado pelos dois. O presidente americano chamou o norte-coreano de "homenzinho do foguete" e Kim também partiu para o ataque, classificando o então inimigo como "ignorante mentalmente perturbado". Mas isso parece ter ficado para o passado. Na segunda-feira, os dois deixaram Singapura jurando confiança mútua.
É certo que o documento assinado entre os dois líderes é bastante vago. Não traz detalhes, prazos e metas. Por enquanto, de certo, os Estados Unidos conseguiram a promessa da desnuclearização, mesmo que gradual. E Kim teve a garantia de que ficará no poder, com a sobrevivência do regime - ele não parece querer abrir mão do poder absoluto. Para não cair em descrédito, o acordo precisa ter seus critérios técnicos definidos e divulgados o mais breve possível. Mas é preciso considerar: um primeiro passo foi dado e uma ponte entre os dois países começou a ser erguida.





