ULTRAPASSADAS - Segurança nas estradas depende de modernização
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de junho de 2008
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Um levantamento do IBGE mostrou que o Paraná é o segundo estado brasileiro que mais mata no trânsito, com 31 vítimas fatais de acidentes
para cada grupo de 100 mil
habitantes.
Em entrevista à FOLHA, o especialista em transportes da Universidade Federal do Paraná
(UFPR), Eduardo Ratton, faz uma análise da situação do trânsito no estado, afirmando que a infra-estrutura das vias urbanas e rodovias não acompanhou o crescimento no número de veículos.
O engenheiro garante ainda que a fiscalização rigorosa, com utilização de radares, é a única forma de conscientizar os motoristas. Enquanto não houver mecanismos de redução de velocidade espalhados pelos municípios, vamos continuar tendo um alto índice de acidentes.
O Paraná é o segundo estado do Brasil com maior número de mortes no trânsito. Como o senhor avalia esta posição?
Em primeiro lugar, é preciso levar em conta que os acidentes acontecem por vários fatores, desde a desatenção do motorista até erros de sinalização, de projeto das vias. Uma das explicações é que houve um aumento muito grande no número de veículos nos últimos cinco, dez anos, e as rodovias e vias urbanas não ampliaram sua capacidade. É claro que, tendo um volume maior de veículos trafegando, o risco de acidentes
aumenta.
Com relação à infra-estrutura, as estradas do Paraná podem ser consideradas seguras?
As vias são classificadas de acordo com critérios técnicos que estipulam, por exemplo, a velocidade máxima. Para ter um limite de 110 km/h, é preciso uma geometria adequada, como raio das curvas, inclinação da pista, entre outros critérios que precisam ser respeitados. Só que, na prática, muitos usuários andam com velocidades muito acima das permitidas. E não houve uma modernização das rodovias.
As estradas do Paraná, de uma forma geral, são estradas com uma série de curvas e poucas retas longas. O limite de velocidade deveria ser revisto?
A geomorfologia do Paraná obriga as estradas a serem assim, para romper a diferença de níveis. Nas regiões de topografia mais acentuada, fica mais difícil ter retas longas, e isso não deixa de ser também uma causa de acidentes, porque tem mais pontos críticos de ultrapassagem. Se pegar o trecho da BR-376 entre Ponta Grossa e Londrina, são muitas curvas. Como é uma pista simples, são poucos locais adequados para ultrapassagem segura.
O pedágio nas estradas paranaenses está completando dez anos. O senhor acredita que houve melhora na questão de
segurança?
Houve uma melhora. Na BR-376 foram construídos vários trechos em terceira faixa, que alivia o fluxo da rodovia. O ideal é que trechos como Curitiba-Londrina fossem totalmente duplicados. Está previsto no contrato das concessionárias que as rodovias fossem duplicadas a partir do 17 º ano de contrato. Nós já estamos no limite do volume de tráfego, mas é uma decisão que envolve questões econômicas, contratuais. Só que pelo menos na parte de conservação da pista e na sinalização, que são itens
importantes de segurança,
melhorou.
Com relação às cidades, o que pode ser feito para reduzir o número de mortes no trânsito? Radares e outros instrumentos de controle de velocidade são eficientes?
Toda medida relacionada à redução de velocidade ajuda a baixar o número de acidentes, porque inibe o motorista a andar em alta velocidade. Muitos não gostam por causa das multas, os pontos na carteira, mas é uma medida necessária. Enquanto não houver mecanismos de redução de velocidade espalhados pelos municípios, vamos continuar tendo um alto índice de acidentes.
Multar o motorista é a única forma de conscientização...
Infelizmente, por falta de cultura e de educação no trânsito. Se não pesar no bolso, o motorista não respeita a velocidade máxima e as regras.
Educação de trânsito nas escolas também não funcionaria, pelo menos a longo prazo?
É uma ferramenta importante. No passado existia essa educação nas escolas de primeiro grau, e trazia bons efeitos. A conscientização deve ir desde ensinar uma criança a atravessar a rua até dicas que mostrem o quanto é importante preservar a vida.
O exame para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação tem sido rigoroso ou ainda temos muitos motoristas inexperientes trafegando por aí?
Da forma como é feito hoje, com testes psicológicos, conhecimento de legislação no trânsito, sinalização, é bastante adequado. Esse não é um fator que implica diretamente na ocorrência de acidentes. O problema é a falta de controle de veículos. Tem muito carro antigo antigo, sem condições, trafegando por aí. O controle técnico deveria ser mais rigoroso. Todo veículo deve ter uma inspeção regular na iluminação, sinalização, pneus, freios, mas a gente continua vendo uma frota muito antiga nas ruas, que coloca em risco a vida dos motoristas.


