Curitiba A Universidade Federal do Paraná (UFPR) divulgou, ontem, a lista de aprovados no Vestibular 2004. Este ano, a instituição centralizou a divulgação no campus do Centro Politécnico, no bairro Jardim Botânico, onde foram montadas várias barracas para que os diretórios dos cursos preparassem o trote para os calouros. E como todos os anos, a festa foi um misto de alegria para os que passaram no vestibular mais concorrido do Paraná, e tristeza para aqueles que terão que enfrentar uma nova maratona de estudos para repetir a tentativa no próximo concurso.
Antes de passar a lista dos calouros para o Diretório Central do Estudantes (DCE), o reitor Carlos Moreira Júnior divulgou o perfil sócio-econômico dos futuros acadêmicos. Um dado que chamou a atenção, segundo ele, foi que 14% dos acadêmicos mais de 560 alunos terão que trabalhar em tempo integral para se manter no curso. Para Moreira, esse é um dado que preocupa porque, historicamente, alunos com esse perfil têm mais chances de abandonar o curso por não conseguir conciliar trabalho com estudos.
De acordo com o reitor, o índice médio de evasão nas universidades federais é de 35%. Apesar de estar abaixo do percentual das instituições privadas (40%), para Moreira, a desistência é um fator preocupante. ''Esse levantamento é importante para que possamos criar políticas afirmativas na universidade como, por exemplo, oferecer bolsas para que esses alunos que precisam trabalhar se mantenham nos cursos'', avaliou.
Moreira destacou, ainda, que 93% dos calouros de Medicina, curso mais concorrido no último vestibular, são oriundos de escolas particulares. Para ele, isso demonstra que o governo federal está no caminho certo ao propor a reserva de vagas para alunos de escolas públicas nas universidades federais. ''Não podemos manter essa distância'', afirmou o reitor. A expectativa, afirmou, é que a proposta seja implantada até o próximo mês de abril. Do total de calouros, 40% sempre estudaram em escolas privadas e 21% sempre estudaram na rede pública de ensino.
Leonardo Trevisan Valenga, 18 anos, é um dos calouros da UFPR que teve oportunidade de frequentar curso preparatório particular para enfrentar o vestibular. E já na primeira tentativa está ingressando no curso de Música-Produção Sonora e garante que o esforço de estudar de manhã e à tarde valeu à pena.
Vinícius Eloir Kienen, 18 anos, teve que ser mais persistente. Depois de encarar seu segundo concurso, teve como recompensa uma das vagas no curso de Ciência da Computação. Disse que só tentou na UFPR por ser uma universidade pública.
Maressa Elise Mazon, 17 anos, não teve a mesma sorte. Não passou na Federal, mas também não perdeu a festa. Aproveitou a companhia dos amigos Jéssica Pechinicki, 17, e Willian do Nascimento Santos, 18, que conquistaram vagas nos cursos de Administração Internacional e Agronomia, respectivamente, para comemorar seu ingresso no curso de Pedagogia em uma outra universidade.

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