UEL tem projetos de geração de renda
Quando se fala em prestação de serviços pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), as imagens que vêm logo à mente são do Hospital Universitário, Hospital de Clínicas, Centro Odontológico e Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos. Mas a UEL possui 14 órgãos suplementares que dão atendimento à comunidade, entre eles o Hospital Veterinário, o Colégio de Aplicação e Casa de Cultura.
Cada um dos nove centros de estudo também tem projetos de extensão e parcerias com a sociedade. Um deles, o Programa Casa Fácil é desenvolvido pelo Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU) e já atendeu a mais de duas mil pessoas, totalizando 644 obras e 150 procedimentos. O projeto nas áreas de arquitetura, engenharia e urbanismo é direcionado à população de baixa renda. O alvo são pessoas que têm terreno em área urbanizada e desejam construir a moradia, dentro dos padrões e critérios do programa, sob o regime de mutirão ou com mão-de-própria.
Apesar da importância da produção de conhecimento aliada à prestação de serviços à comunidade, o diretor de Planejamento e Desenvolvimento Acadêmico na Assessoria de Planejamento e Controle da UEL, Antonio Geraldo Magalhães Gomes Pires, destaca que as ações da universidade têm como foco o desenvolvimento de práticas voltadas à inclusão social, econômica e cultural dos segmentos excluídos da sociedade. ''Não podemos ficar só na prestação de serviço. Temos que dar condições para que a população excluída crie instrumento para sair dessa situação'', diz.
Um dos exemplos citados por Gomes Pires é o Projeto Carne Seca que desenvolveu o charque da carne de galinha poedeira. Ele lembra que as aves poedeiras após dois meses e meio de produção são descartadas. A carne delas não é apropriada para alimentação por ser dura. ''Foi pensando em dar uma finalidade social que foi desenvolvida essa técnica. Esse charque aproveita peito e coxas, tem custo reduzido, durabilidade de dois meses, e pode ser um alimento voltado para camadas da população do Programa de Combate à Fome'', destaca o diretor. ''Além disso é uma carne é rica em proteína''.
Desenvolvido pelo professor Massami Shimokomaki, do Departamento de Tecnologia de Alimentos e Medicamentos do Centro de Ciências Agrárias (CCA), o projeto está na fase de captação de recursos para parceria na produção. O custo do charque computando apenas matéria-prima e aditivos é de R$ 1,50 o quilo. ''O charque pode ser usado em todos os pratos em que o frango é utilizado. O mais importante é o aproveitamento da matéria-prima num processo simples e de baixo custo'', enfatiza. O sabor e a textura, segundo o pesquisador, são semelhantes aos da carne de frango.
O professor lembra que o Brasil tem cerca de 60 milhões de galinhas poedeiras, sendo que de 40 milhões a 50 milhões são descartadas anualmente. Essas aves costumam ser vendidas em bairros pobres a R$ 0,30 cada. Shimomaki destaca as principais vantagens do projeto: uso de técnicas simples (a carne é salgada, seca ao Sol e embalada a vácuo) e dispensa refrigeração tanto na produção quanto na armazenagem e transporte. ''Esse produto pode ser destinado a qualquer região do mundo'', diz o pesquisador.





