UEL: representatividade verdadeira
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de dezembro de 2001
George Hiraiwa 
Os ataques diri gidos à Associa ção Comercial e Industrial de Londrina (Acil), por seu posicio namento firme diante da crise provocada pela greve da UEL, suscitam algumas considerações importantes. Tem sido um argumento fácil na boca dos críticos da Acil afirmar que a entidade só agora, com a decisão de suspender o vestibular, resolveu se pronunciar. Quem faz essas afirmações está totalmente desinformado. No início de novembro, há mais de um mês e meio, assinamos um artigo sobre o impasse na universidade e os riscos para a comunidade do não diálogo entre as partes envolvidas.
Na época, já vínhamos participando das negociações que tentavam pôr fim à paralisação. Além disso, a Acil integra o Conselho Universitário e, nessa condição, participou de todas as reuniões que deliberaram sobre os passos da instituição. Em todos os encontros, nossa posição foi clara e coerente com o que defendemos agora. Infelizmente, nossas ponderações ficaram perdidas -e foram voto vencido - nessas reuniões, nas quais não havia espaço adequado para avaliações críticas sobre o movimento e suas consequências. Portanto, são mentirosas as afirmações de que a Acil só agora está tomando posição.
Outro episódio que merece ser lembrado foi o papel da associação no desdobramento do recente escândalo envolvendo a reitoria da UEL. Nesse caso, a proposta da entidade na reunião do Conselho Universitário foi acatada e se mostrou determinante para o desenrolar dos fatos, cujo resultado foi o afastamento do ex-reitor. Muitos dos que hoje criticam a Acil participaram da reunião, quando o conselheiro representante da entidade, David Dequech Neto, foi aplaudido de pé.
Outra afirmação infeliz é de que a associação age movida por ''interesses econômicos'' ou qualquer tolice que o valha. Mais uma vez, falta aos críticos da Acil informações e noções mais básicas da histórica da cidade. A entidade nasceu em 5 de junho de 1937, dois anos e meio depois da instalação do município, e sua representatividade jamais esteve limitada aos interesses dos empresários. Aliás, defender a classe empresarial é uma postura legítima e justa e não pode ser estigmatizada, como muitos vêm tentando nesses últimos dias. À associação foi outorgada a condição de porta-voz da comunidade.
Foi através de um movimento liderado pela entidade que Londrina ganhou sua primeira Usina de Força e Luz. A associação foi responsável ainda pela implantação da Coletoria Federal, da Santa Casa, ao antigo aeroporto, do Colégio Marista, Colégio Londrinense, do Grupo Escolar Hugo Simas, do Tiro de Guerra, dos serviços de água e telefonia. Foi a então Associação Comercial de Londrina que orientou, em 1944, a construção das praças Willie Davids e Gabriel Martins e, na ausência do Legislativo, por causa do governo autoritário de Getúlio Vargas, a comunidade recorreu à entidade até para ''moralizar a zona do meretrício''.
As conquistas e iniciativas lideradas ou apoiadas pela Acil vão muito além. Mais recentemente, o Movimento pela Moralidade, do qual a associação é uma das líderes, escreveu um novo capítulo na história política do município e do Estado. Uma mobilização reconhecida internacionalmente como exemplo de cidadania e luta contra a corrupção. Todos esses fatos conferem à Acil a condição histórica de representante da comunidade. Não ''a'' mas ''uma das'' legítimas representantes.
Há uma dedução lógica que se sobressai dos argumentos levantados nos últimos dias por integrantes da paralisação da UEL: o corporativismo vai sempre falar mais alto. As críticas à Acil apelam irremediavelmente para o ataque à entidade e, assim, esquivam-se das questões fundamentais levantadas pela entidade. É uma forma irresponsável, imatura e incompetente de se lançar em um debate tão importante quanto o que travamos agora, no qual se busca muito mais do que a solução da greve, mas a construção de um futuro melhor para a instituição e a comunidade.
A visão da Acil para a região e para a UEL é uma só, com a definição de um modelo de desenvolvimento sustentado. E isso só é possível com a integração entre as estruturas de ensino superior, criando conhecimento e gerando tecnologia, e o setor empresarial, entrando com ousadia e empreendedorismo. Foi assim em São José dos Campos, com tecnologia aeroespacial; Belo Horizonte, com biotecnologia; Florianópolis, mecânica; São Carlos e Itajubá, eletrônica; Piracicaba, agronegócio; Ilhéus, com informática; Uberlândia, com call center. São cidades onde a cada dia florescem empresas respaldadas pelas incubadoras tecnológicas. Aliás, a partir deste ano, contamos com a nossa incubadora dentro da UEL, resultado de um gesto da Construtora A. Yoshii que merece ser reconhecido.
A crise da UEL deve fazer nascer uma nova fase na história da instituição, que exigirá algumas mudanças e a adoção de uma nova postura de todos. Sem corporativismo, arrogância ou radicalismo.
- GEORGE HIRAIWA é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil)


