Não poderia deixar de iniciar este artigo lamentando a entrevista do reitor da UEL Jackson Testa concedida à Folha no dia 14/11/97 retratada na matéria: ‘‘Reitor ataca o PT, ex-prefeito, DCE a CUT e Sindicato’’.
O título da mesma consegue expressar com clareza o conteúdo do pensamento do reitor, mostrando a sua verdadeira face, ou a ‘‘democrata’’ que é, pois foge do debate central e parte para a agressão individual às pessoas e entidades que ‘‘ousaram’’ externar suas opiniões contra os encaminhamentos feitos pelo Magnífico Reitor no processo da reeleição.
Cumpre-nos lembrar que o PT nasceu na luta pela redemocratização desse país e, ainda hoje, continua lutando para que tenhamos uma democracia de fato e não de fachada
Aliás, o senhor reitor só foi eleito e está exercendo seu mandato hoje graças ao trabalho de muitos professores, funcionários e alunos (entre eles muitos petistas) e também pela garra de todas as entidades representativas da UEL (que hoje ele ataca e desqualifica) que, tendo como valor maior a democracia, lutaram e conquistaram o direito da comunidade universitária eleger diretamente seu reitor.
Muitos petistas, quando estiveram à frente da ADUEL, ASSUEL, Sindicato da Saúde, Sindiprol e lutaram em muitas greves pela reposição salarial e cumprimento de acordos coletivos, eram, e ainda são, chamados de radicais e acusados de terem acabado com a UEL. Mesmo que tardiamente os fatos hoje mostram que nós estavamos com a razão, pois todas as ações trabalhistas desencadeadas foram reconhecidas pela Justiça do Trabalho e hoje estamos recebendo os precatórios decorrentes das mesmas, inclusive o professor Jackson.
Quando o reitor diz que: ‘‘existe uma articulação’’ de setores ligados a CUT e ao PT com o objetivo de conquistar o poder na UEL’’, mais uma vez mostra seu verdadeiro perfil.
O professor Jackson sabe que os 2.562 votos contrários à reeleição não foram dados só pelos petistas. Tenho certeza que nesse universo existem inúmeras pessoas, ou mesmo a maioria que não é filiada a qualquer partido, mas como nós não concordaram com esse encaminhamento.
Sou filiada ao PT há muitos anos e sempre assumi essa minha condição com muito orgulho. Diferentemente do reitor que, quando foi eleito, desfiliou-se do PDT fazendo um discurso demagógico que: ‘‘agora meu partido é a UEL’’ e, três anos depois, acompanhado ou quem sabe seguindo orientações dos mandatários do Palácio Iguaçu, se filiou ao PTB.
Será que o reitor considera a comunidade universitária como uma massa de manobra?
É o que se deduz quando ele diz que: ‘‘esse grupo do PT quer dominar a classe intelectual e também os estudantes’’.
Será que somos tão poderosos assim?
Temos certeza que todos têm suas convicções e não aceitam ser dominados por ninguém. O que propomos é o debate franco, aberto e verdadeiramente democrático. Como não admitimos o cerceamento de opiniões não temos medo de expor nossas idéias e colocá-las para o debate.
Todo o processo de discussão da reeleição foi distorcido desde o seu início porque foi direcionado e com um único objetivo: tentar a reeleição do atual reitor.
Como princípio, o processo da reeleição é legítimo. Em nenhum momento esse foi o foco das discussões; e sim como foi encaminhado: às vésperas da próxima eleição, e no final do ano alterando as regras no meio do jogo.
Nossa proposta era que as próximas eleições fossem feitas sem alterações e que no ano que vem, pudessemos discutir a decorrência na nova Lei de Diretrizes e Base, incluindo aí também o processo de reeleição.
Mas essa proposta sequer foi discutida. Primeiro, o Conselho Universitário é que iria decidir. Como a comunidade se mobilizou, exigindo que seus representantes discutissem com suas bases para poderem se posicionar, percebeu-se que a votação não seria tranquila, e se tirou, então, da ‘‘manga do colete’’ a palavra mágica plebiscito.
Infelizmente um instrumento democrático tão valioso, conquistado pela sociedade brasileira na constituição de 88 foi completamente distorcido. Na nossa jovem Democracia Brasileira, ainda em construção, este é o segundo plebiscito que tenho a oportunidade de participar.
O primeiro foi sobre a forma (república ou monarquia) e sistema (parlamentarismo ou presidencialismo) de governo, que deveria vigorar no Brasil, feito em 1993.
Este sim foi verdadeiro. Foram meses de debate em que os defensores de todas as idéias tiveram oportunidade e tempo de externar e defender duas opiniões.
O que aconteceu na UEL foi muito diferente, vamos aos fatos:
A aprovação do plebiscito se deu na segunda-feira (10 de novembro) para ser realizado três dias após, quinta-feira (13 de novembro).
A palavra de ordem a partir de então foi ‘‘isto é democracia’’ e uma campanha maciça pelo voto ‘‘SIM’’ foi realizada, sem qualquer discussão, como se essa articulação substituísse o verdadeiro debate democrático.
Pelas informações dos jornais as eleições do reitor e vice-reitor vão acontecer entre 10 de março e 10 de junho. Quanto tempo o Regimento Eleitoral dará para que haja inscrições de chapas e para os debates?
Será que vamos repetir a mesma democracia do plebiscito? Sou docente da UEL há 18 anos, sempre lutei, e vou continuar lutando, para que haja democracia de fato no nosso país e dentro da nossa universidade.
O que se espera do dirigente magno de uma universidade é o debate de idéias.
Lutar pela democracia, sim. Aceitar o resultado do debate verdadeiro, também. Mas, permitir que cerceiem a nossa liberdade de expressão e menosprezem nossa inteligência jamais!!!

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